Belo Horizonte, 03 (AE) - O governador de Minas, Itamar Franco (sem partido), disse hoje ter considerado "razoáveis" os termos do acordo que está para ser firmado entre o Estado e a União para pôr fim à moratória mineira e, possivelmente, garantir o pagamento da segunda e última parcela dos eurobônus. Itamar foi informado sobre as bases do acordo em reunião realizada ontem (02) com o secretário da Fazenda, José Augusto Trópia Reis, e a procuradora-geral do Estado, Misabel Derzi.
Os dois foram incumbidos de analisar, em novembro passado, as minutas dos quatro contratos que compõem o acerto, elaboradas por técnicos do governo mineiro e do Tesouro nacional, e deram seu aval. "Fiquei até as 3h da manhã analisando os documentos"
disse o governador. "As condições são razoáveis", completou.
Apesar disso, Itamar não deu prazo para bater o martelo sobre a acordo. "A decisão cabe exclusivamente a mim", afirmou Itamar, em nota divulgada ainda na noite de quarta-feira. Especulações de integrantes da equipe do governador dão conta de que possa sair ainda hoje uma definição sobre o assunto. O acordo prevê que Minas deverá pagar à União 10% (R$ 1,9 bilhões) de seu endividamento global (R$ 18,5 bilhões), o que suspenderia automaticamente a moratória e os bloqueios impostos pelo governo federal.
Para isso, poderá contar com ativos da carteira habitacional do extinto banco MinasCaixa, em poder da Caixa Econômica Federal, e a outros recursos, provenientes de um encontro de contas com o governo federal. Nesta negociação, constaria US$ 1 bilhão a que o governo mineiro alega ter direito
referente a obras rodoviárias de responsabilidade do DNER pagas pelo Estado, desde 1985.
O cálculo da equipe de Itamar é que, apenas na operação junto à Caixa, sobrem para Minas R$ 160 milhões, dinheiro que seria usado para abater parte da dívida em eurobônus. O restante seria quitado pelo governo federal e incorporado ao estoque da dívida mineira. O comprometimento da receita estadual com as prestações do débito global - com pagamento previsto para 30 anos e juros de 7,5% ao ano - seria de 13%.

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