Belo Horizonte, 3 (AE) - O governador Itamar Franco disse há pouco durante entrevista coletiva que o pagamento dos eurobônus lançados por Minas Gerais em 1994 só serão pagos caso o estado consiga levantar os recursos necessários.
Segundo o governador, o desejo do governo é pagar os eurobônus, mas a desvalorização do real complicou o cumprimento desse vencimento. A primeira parcela do eurobônus vence no dia 10 e o valor é de US$ 108 milhões. Segundo ele, de hoje para amanhã, a secretaria de Fazenda de Minas, vai concluir uma avaliação de quanto o Estado já possui de recursos para esse pagamento. Segundo o Tesouro Nacional o governo de Minas tem R$ 94,5 milhões destinados ao pagamento desses papéis.
O governador também falou que ontem não quis ser irônico ao dizer que o Brasil tinha Stanley Fischer como ministro da Fazenda e George Soros como presidente do Banco Central. Segundo ele, é claro para todo mundo que o FMI monitora e dirige a política econômica brasileira. Para ele, não existe justificativa para a presença do FMI no País, já que o Fundo tem uma política heterodoxa "que levará necessariamente o País à recessão". Ao ser perguntado se ele iria prorrogar a moratória, Itamar simplesmente pontuou o que o governo vem fazendo em relação a corte de gastos e que ainda tem 60 dias para avaliar a necessidade ou não de prorrogar a moratória. Itamar também confirmou que o fundo de investimentos Overseas Economic Corporation Fund não bloqueará os recursos que têm que ser repassados para o Estado. O governador teve uma reunião às 11h com o diretor do fundo, Keiichi Tango, que lhe garantiu que esses recursos não seriam bloqueados.
Durante a entrevista coletiva, Itamar Franco garantiu que irá ponderar hoje à tarde, com o presidência do PT, José Dirceu a importância da reunião dos governadores na próxima sexta-feira. Na opinião de Itamar, como o presidente Fernando Henrique marcou a reunião de governadores para dia 9, seria melhor que os governadores se reunissem após esse encontro. "Não é que eu não queira ir, só acho que é melhor ir depois do encontro com o presidente", afirmou. Ele garantiu, entretanto, que se Dirceu e Olívio Dutra, anfitrião do encontro, decidirem pela realização do encontro ele irá. Ainda durante a coletiva Itamar refutou por completo a possibilidade de se encontrar com o presdiente FHC. Segundo ele, se ele fosse encontrar o presidente nesse momento ele estaria "amesquinhando" o Estado. "Enquanto ele não recuar, não conversarei com ele", afirmou. O governador tambem explicou que enviará hoje à tarde um segundo fax para a presidência do Banco Mundial (Bird) solicitando a implementação de um "tribunal arbitral" para julgar o bloqueio de recursos feito pela instituição na semana passada.
Segundo o governador, existe uma cláusula no contrato entre o Estado e o Bird que o acordo não pode ser rompido unilateralmente, por isso, caso ocorra uma situação dessa, é criado o tribunal arbitral para julgar a questão. O processo seria assim: o Estado de MG indica uma pessoa para arbitrar em nome do Estado e o Bird uma outra. Caso esses dois árbitros não entrem em acordo, um terceiro árbitro entra no processo para julgar a questão. Itamar disse que está avaliando todos esses procedimentos, mas disse que caso seja necessária a indicação desse terceiro árbitro, quem indicará será a Organização dos Estados Americanos e o fórum para discutir a questão seria em Washington.

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