Itamar começa a definir acordo com governo federal
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sábado, 25 de setembro de 1999
Por Ivana Moreira 
Belo Horizonte, 26 (AE) - O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), reuniu-se hoje, um dia depois de chegar dos Estados Unidos, com os secretários de sua equipe econômica para discutir a negociação com o governo federal. Ele não quis dar entrevistas e proibiu os secretários de falar com a imprensa. Depois de sete meses em pé-de-guerra com o Palácio do Planalto, Itamar está perto de fazer as pazes, anunciando o fim da moratória.
O acordo com o governo federal sobre o pagamento da dívida interna de mais de R$ 18,5 bilhões é o último item da "arrumação da casa" que Itamar começou a divulgar há duas semanas, com o fim da moratória internacional.
A proposta mineira de acordo com a União foi encaminhada ao secretário do Tesouro Nacional, Fábio Barbosa, no dia 14. O secretário adiantou que não poderá atender todas as reivindicações do estado. Mas assegurou que o acerto será bom.
A principal proposta de Minas, que não deverá ser aceita é a redução do porcentual de comprometimento da receita mensal com o pagamento da dívida, que é, pelo contrato de renegociação, de 13%. O valor da parcela mensal do estado gira em torno de R$ 65 milhões e hoje representa cerca de 17% da receita líquida, que teve queda no primeiro semestre.
Para compensar, o Tesouro Nacional deverá considerar um dos encontros de contas reivindicados por Itamar, o de investimentos feitos pelo estado em rodovias federais. A conta apresentada pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) de Minas é de cerca de US$ 1 bilhão.
Os técnicos do Ministério da Fazenda consideram o valor alto demais, mas estão dispostos a conceder um crédito referente aos investimentos em estradas federais. O valor, ainda mantido em sigilo, será abatido em parcelas mensais da amortização da dívida com a União.
O que significa que Itamar poderá ter uma folga mensal no caixa correspondente a R$ 65 milhões durante um longo período
ou até mesmo durante todo o seu governo.


