Belo Horizonte, 14 (AE) - O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), anunciou hoje, durante reunião no Palácio da Liberdade, com a presença de parte da equipe dele, que dará início, na terça-feira (17), a manobras militares na região da Hidrelétrica de Furnas, no Sudoeste do Estado. A medida vinha sendo admitida pelo governador, que se diz disposto a evitar a privatização de Furnas pelo governo federal. Itamar voltou a dizer que, se preciso for, tentará até mesmo desviar os rios de Minas Gerais para impedir a privatização.
Itamar informou que vai sobrevoar o local, na terça-feira, acompanhado pelo comandante-geral da Polícia Militar de Minas Gerais, coronel Mauro Lúcio Gontijo, para, em seguida, instalar um posto de comando das manobras de Capitólio, localizada a 260 quilômetros de Belo Horizonte. O sobrevôo estava previsto para hoje, mas foi adiado por Itamar.O governador não soube dizer quantos homens serão encaminhados à região, mas revelou que, além de integrantes da tropa da PM no Estado, cadetes também vão ser designados para compôr o grupo.
Perguntado sobre o preparo dos cadetes para esse tipo de manobra, Itamar considerou que eles precisam de treinamento e que, para isso, vão atirar em morros, com armas e munição reais.
Depois de garantir que todas as informações sobre o andamento das manobras sairão do quartel general montado em Capitólio, município que fica às margens do lago de Furnas, Itamar convidou os jornalistas que irão acompanhar os trabalhos a vestir uniformes de campanha, contra a privatização da hidrelétrica.
A privatização, disse o governador, se for concretizada, será um erro do presidente Fernando Henrique Cardoso. O Estado, frisou, irá continuar tentando todas as formas jurídicas para impedir o processo de venda da estatal. A idéia é barrar o andamento por meio de uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin), baseada na tese de que, sem consultar municípios envolvidos e o Estado, o governo federal estaria ferindo o Artigo 21 da Constituição.
As ameaças de Itamar quanto a desviar os rios que abastecem Furnas para diminuir a geração de energia, caso haja a privatização, só deverão ser cumpridas, segundo ele próprio, em último caso. Essa possibilidade mobilizou a atenção de vários estudiosos no assunto.
Há aqueles que até consideram viável, do ponto de vista técnico, o desvio dos rios mineiros que chegam até a hidrelétrica de Furnas.

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