Belo Horizonte, 21 (AE) - O governador de Minas, Itamar Franco (sem partido), reuniu todo o secretariado hoje à tarde, no Palácio da Liberdade, para cobrar maior responsabilidade e evitar o surgimento de novas acusações de irregularidades na administração estadual. Ontem (20), Itamar demitiu o secretário de Saúde, Armando Costa, do PMDB, o segundo a perder cargo no governo em razão de denúncias de fraudes - no caso, uma suposta licitação de "cartas marcadas", na Fundação Hospitalar de Minas (Fhemig), para a escolha da empresa que faria a lavagem de roupas sujas de 16 hospitais do Estado.
O encontro foi a portas fechadas, mas assessores informaram que Itamar comunicou aos 18 secretários a criação de uma auditoria permamente no Estado.
Qualquer denúncia, a partir de agora, será imediatamente investigada por uma comissão, comandada pelo desembargador Ayrton Maia. Os secretários podem ser afastados, não importando o setor das pastas que esteja envolvido. "Os secretários serão responsáveis administrativamente por tudo que ocorrer em suas pastas", resumiu um dos assessores. "O governador não quer mais ouvir desculpas e justificativas de que os diretores nomeados pelos chefes têm autonomia para tomar decisões", acrescentou.
O governo Itamar enfrenta mais dois inquéritos abertos pela Procuradoria de Defesa do Patrimônio Público em Minas. Uma é sobre a contratação de empreiteiras, sem licitação, para obras rodoviárias no Sul de Minas, suspensa pelo governador - que provocou a demissão do secretário de Obras Públicas, Maurício Guedes, além do superintendente do DER, Antônio Bortoletti. A outra é sobre gastos com publicidade, em fevereiro.
Guedes e Bortoletti foram os primeiros de uma lista de seis demitidos, em menos de um mês, em razão de denúncias. Semana passada, saíram as exonerações de dois diretores da Fundação Hospitalar do Estado. Hoje, foi a vez de Armando Costa e do superintendente da Fhemig, João Batista Magro.
Crise - As acusações de fraudes e irregularidades não são o único problema de Itamar Franco em Minas, no momento. A nomeação do deputado estadual petista Adelmo Carneiro Leão para o lugar de Armando Costa, anunciada eontem, iniciou uma crise entre o governador e o PMDB, principal partido de sua base aliada. Costa
presidente licenciado do PMDB estadual e um dos principais articuladores da candidatura de Itamar, em 1998, queixou-se de ter sido injustiçado. "Eu não podia ter sido demitido em um momento desses", disse.
"Desafio qualquer um a provar qualquer coisa contra mim", frisou.
O ex-secretário ganhou a solidariedade dos 13 deputados peemedebistas na Assebléia Legislativa. A bancada reclama ainda que o PT está ganhando espaço no governo estadual, em detrimento do PMDB. Embora ainda não falem em rompimento com o Palácio da Liberdade, os parlamentares ressaltam que o momento é de "reflexão" e devem se reunir ainda esta semana com o vice-governador Newton Cardoso (PMDB), para discutir o assunto. "Não questionamos o poder do governador de admitir e admitir quem ele quiser, mas não ficamos satisfeitos com a demissão de Armando Costa", afirmou o deputado Antônio Andrade, líder da maioria noLegislativo Estadual.
Nota - Enquanto a reunião com o secretariado transcorria, no final da tarde, Itamar Franco divulgou nota afirmando que vai interpelar judicialmente o deputado estadual Alberto Bejani (PFL). Bejani, que lidera as pesquisas para a eleição municipal em Juiz de Fora, reduto de Itamar, é o autor das denúncias sobre as irregularidades na Fhemig. Esta semana, ele teria informado a um jornal da capital que a empresa vencedora da licitação das roupas sujas, a Brasil Sul, de Niterói, teria como sócio-proprietário " parente de um integrante do primeiro escalão do governo estadual". Itamar exige que, até quinta-feira (23), o deputado prove a denúncia.

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