Belo Horizonte, 13 (AE) - O governador Itamar Franco disse pela manhã em entrevista coletiva que o orçamento do governo estadual 2000 prevê os pagamentos dos financiamentos do Estado contraídos junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bid) e Banco Mundial (Bird). Os pagamentos estavam suspensos desde a decretação da moratória pelo governo de Minas em janeiro passado. O volume de recursos destinados ao pagamento será de R$ 30 milhões, até o final deste ano e de R$ 194 milhões previstos no orçamento do próximo ano, relativos à amortização dos empréstimos.
O secretário de Estado da Fazenda, José Augusto Trópia Reis não soube informar o valor total da dívida, mas a estimativa é de R$ 600 milhões. Com isso, o governador Itamar Franco espera que o governo federal não tente bloquear a concessão de empréstimos ao Estado, junto aos organismos internacionais. Os pagamentos deverão ser reiniciados em outubro.
O orçamento 2000 não prevê, no entanto, o pagamento dos eurobônus, lançados pelo governo Hélio Garcia em 1994, no valor de US$ 200 milhões. A primeira parcela do lançamento dos títulos no mercado americano, no valor de US$ 108 milhões venceu em fevereiro deste ano, mas deste total foram pagos US$ 54,9 milhões já previstos no orçamento do governo anterior. O governo federal assumiu o restante do pagamento e aguarda o ressarcimento pelo governo de Minas. Segundo Itamar Franc, no entanto, o pagamento só será feito "se houver condições, mas caso o governo federal quiser pagar de novo eu agradeço", disse. A segunda parcela dos eurobônus vence em fevereiro do próximo ano.
O governador Itamar Franco informou ainda que pretende exigir a repactuação das dívidas do Estado junto ao governo federal, antes de destinar qualquer pagamento ao governo federal. Segundo ele, na assinatura do acordo da dívida durante o governo Eduardo Azeredo estavam previstas algumas metas macroeconômicas que não foram atingidas. O governador enfatizou que não há como o Estado comprometer os 12,5% da receita do Estado com o pagamento das dívidas ao governo federal e nem mesmo garantir os 10% do pagamento da dívida total programada para novembro deste ano. Na assinatura do acordo em 1997, estavam previstas a alienação de ativos do Estado como o Credireal e Bemge que seriam abatidos na conta gráfica do Estado. O secretário de Estado da Fazenda, José Augusto Trópia Reis, deverá se reunir com o secretário do Tesouro Nacional esta semana para discutir o assunto.

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