Itamar ameaça "desviar rios" se furnas for privatizada
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terça-feira, 10 de agosto de 1999
Por Evaldo Magalhães 
Belo Horizonte, 11 (AE) - O governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), ameaçou hoje "desviar os rios" na região da estatal Furnas Centrais Elétricas, no sudoeste do Estado, caso a companhia venha a ser privatizada pelo governo federal. O governador também determinou que a PM mineira promova "manobras militares" no local, para fazer um levantamento do impacto que a eventual privatização poderia trazer sobre as populações ribeirinhas e atividades econômicas das cidades que circundam a represa de Furnas, como o Turismo e a Piscicultura.
Itamar tomou estas decisões após receber, à tarde, no Palácio da Liberdade, um estudo sobre o setor energético mineiro
encomendado a uma comissão de juristas - nomeados pelo governador há 100 dias. A comissão, presidida pelo ex-advogado geral da União e amigo pessoal do governador, José de Castro Ferreira, elaborou um documento de três mil páginas e 11 volumes
no qual sugere, entre outras coisas, que o governo estadual recorra ao Supremo Tribunal Federal contra a privatização de Furnas.
"Determinei à Polícia Militar que fizesse adestramento nas suas tropas, inclusive com nossos cadetes militares, para verificar junto às cidades, à população ribeirinha, com a piscicultura, com o turismo, exatamente o que poderia acontecer se Furnas fosse levada a essa privatização, o que não vai acontecer", disse o governador. Caso a companhia seja mesmo vendida, Itamar adiantou que fará como "o velho fazendeiro". "Levem as usinas, mas os rios eu desvio", disse. "Não atiro, mas posso desviar rios", completou.
O jurista José de Castro Ferreira acredita, porém, que a venda de Furnas poderá ser impedida com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), a ser impetrada pela Procuradoria-Geral de Minas no STF. "A irregularidade de uma privatização assim estaria no fato de que o governo federal não pode colocar à venda uma usina localizada no Estado sem, antes, entrar em acordo com o governo mineiro", disse. "Se fizesse isso, a União estaria passando sobre a Constituição Federal", acrescentou.


