Itamar ameaça demitir funcionários públicos com uma canetada
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domingo, 18 de abril de 1999
Por Ivana Moreira 
Belo Horizonte, 19 (AE) - O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), fechou uma reunião entre as lideranças dos servidores e o secretariado, hoje à tarde, avisando que poderá reduzir a folha com uma canetada, caso a proposta de parcelamento do 13º salário de 1998 não seja aceita.
Com isso, depois de ter dado solidariedade a Itamar, o funcionalismo público mineiro ameaça rever a posição. "As declarações do governador têm preocupado-nos demais", afirmou o presidente da Coordenação Sindical do Funcionalismo Público, Renato Barros.
O apoio a Itamar, de acordo com os sindicalistas, será reavaliado numa assembléia estadual que será realizada no dia 29. A proposta do governador é adiantar o 13º deste ano, pagando metade no meio do ano. O atrasado, o "do ex-governador" Eduardo Azeredo (PSDB), no entanto, será pago ao longo de dois anos, dividido em 24 parcelas. Os servidores criticaram a proposta e lembraram que a dívida é do Estado e não de um determinado governador. "Não podemos aceitar isso", reclamou o presidente do Sindicato dos Servidores da Educação, Antônio Carlos Hilário.
De acordo com o secretário da Fazenda, Alexandre Dupeyrat, o pagamento integral do 13º salário atrasado só será possível se o governo federal desbloquear os recursos de Minas Gerais ou suspender os bloqueios nos próximos três meses. A dívida do 13º salário soma R$ 247 milhões, cerca de dois terços da arrecadação mensal do Estado.
Nos discursos, Itamar e os secretários tentaram convencer os servidores a se preocupar menos com a questão do 13º e mais com as questões macroeconômicas. "Se quiserem ficar conosco, fiquem", disse o governador. "Se não quiserem, caminhem no rumo do neoliberalismo para ver o que vai acontecer." Os servidores públicos não foram os primeiros a ameaçar retirar o apoio a Itamar. Antes deles, os policiais militares entraram em conflito com o governador. A categoria não viu com bons olhos o projeto para dar aposentadoria integral a PMs punidos com a expulsão, depois da greve de 1997. Oficiais condenaram a proposta. O projeto provoca polêmica na Assembléia Legislativa, onde recebeu substitutivos.


