Brasília, 29 (AE) - O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (sem partido), disse hoje que o País passa por uma "anormalidade" e "promiscuidade" pelo fato de o governo federal permitir o reajuste dos salários dos juízes federais e trabalhistas. "O governo, que só pensa em internacionalizar a economia nacional, permite o auxílio-moradia, que de moradia não tem nada", disse Itamar, logo após participar de um debate na comissão especial da Câmara sobre a transposição das águas do Rio São Francisco.
O aumento salarial do Judiciário, que é de 37,9%, foi concedido por meio de uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF), a título de auxílio-moradia.
Sobre o reajuste do salário mínimo, Itamar considerou lamentável o fato de o governo federal e os partidos da base governista - PFL e PSDB - não terem, até o momento, apresentado um estudo de impacto nas contas públicas com relação à elevação do mínimo para 170 ou 180 reais.
"Esses partidos - PFL, PSDB e PMDB - aliás, nunca defenderam esses valores", disse o governador mineiro, que deixou recentemente o PMDB.
"É lamentável que o governo, que apresenta as suas contas ao Fundo Monetário Internacional (FMI), não mostre algum estudo ao povo brasileiro." Segundo ele, a equipe do presidente Fernando Henrique Cardoso deveria analisar a "necessidade dos trabalhadores nesse momento" e deixar de lado o o argumento sobre o impacto do reajuste nas contas públicas.
O governador propôs, em discurso na comissão, que o Congresso aprove a proibição da "privatização do uso dos rios"
de forma a impedir a venda de usinas hidrelétricas, entre as quais Furnas Centrais Elétricas. O deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), integrante da comissão, disse que a proposta será debatida. Dizendo que tem uma "estratégia" para impedir a privatização de Furnas, Itamar afirmou que, nos Estados Unidos, as usinas são controladas pelo governo ou pelo Exército.