Itamar acusa FH de negociar parlamentarismo para continuar no poder
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2000
Por Gilse Guedes 
Brasília, 17 (AE) - O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (sem partido), virtual candidato à Presidência em 2002, reagiu à articulação para a aprovação do sistema parlamentarista no País. Em tom irônico, ele disse, durante um programa na TV Cultura, que o presidente Fernando Henrique Cardoso está negociando o parlamentarismo no Congresso para se perpetuar no poder por meio da indicação como primeiro-ministro. "Quem sabe, o sr. presidente da República sonha em adotar o parlamentarismo agora para continuar a governar o Brasil, não mais como presidente, mas como primeiro-ministro", ironizou Itamar, durante o programa "Conversa Fiada", exibido ontem (16) à noite pela TV Cultura.
O governador disse ser favorável à forma de governo, mas considera que a mudança do presidencialismo para o parlamentarimo é uma manobra oportunista depois da aprovação do instituto da reeleição, que beneficiou Fernando Henrique. Ele aceitou o convite para falar na comissão especial sobre parlamentarismo feito pela presidente, a deputada Rita Camata (PMDB-ES). Hoje, antes de embarcar de volta para Belo Horizonte, ele confirmou a presença na comissão - ainda sem data definida - para discursar, mostrando, assim, que participará da ofensiva da oposição contra a ala parlamentarista no Congresso integrada por governistas.
"Nesse momento, considero um erro fazer a transformação política, pelo fato de o governo federal ter feito a pior transformação, que foi a aprovação da reeleição", declarou. Embora tenha manifestado interesse em apoiar "tecnicamente" ações federais, como a encabeçada pelo ministro da Saúde, José Serra, Itamar deixou claro que está disposto a liderar a ofensiva contra o parlamentarismo. O governador disse que o presidente quebrou um princípio constitucional, medida que não foi adotada "nem pelos militares". Itamar desembarcou em Brasília ontem para anunciar o apoio integral a Serra, que defende a queda das tarifas de remédios e a venda dos genéricos. Esse foi o primeiro encontro com um representante do primeiro escalão do governo depois do anúncio do fim da moratória do Estado com a União. Na avaliação de um integrante do governo mineiro, Itamar sempre esteve alinhado a posições de Serra, tanto que, por pouco, não o escolheu ministro do Planejamento, logo após assumir a Presidência, em 1993. Ao vir a Brasília e não poupar elogios a Serra, Itamar, que está sem partido depois de abandonar o PMDB, pretende fazer um contraponto à política econômica defendida pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, e criticada por Serra, segundo a avaliação desse mesmo interlocutor do governo mineiro. O encontro, de acordo ele, somente pôde ser possível graças às negociações entre União e o Estado para o fim da moratória de Minas Gerais. O governador está disposto ainda a aumentar a frequência das viagens a Brasília e anunciou que deverá participar de uma audiência na comissão que discute a transposição do Rio São Francisco.


