Roma, 02 - Uma importante revista católica de Roma está às voltas com a polícia e as autoridades judiciais por se recusar a revelar a identidade de um jogador de futebol italiano que confessou ter sido pago para perder algumas partidas. O jogador não identificado escreveu uma carta à "Famiglia Cristiana", a mais popular revista católica da Itália, dizendo que sua consciência não podia permitir que continuasse em silêncio em relação à corrupção no futebol italiano.
A revelação ganhou as primeiras páginas dos jornais e inflamou as paixões num país onde o futebol e a religião são levados igualmente a sério. A cultura católica continua profundamente enraizada na Itália, muito embora o comparecimento à missa seja às vezes fraco, enquanto o futebol causa uma paixão que se aproxima do fervor religioso.
O papa foi goleiro quando jovem na Polônia. E o Vaticano tem seu próprio torneio de futebol, do qual participam as equipes da Rádio Vaticano, dos Guardas Suíços e do Arquivo Secreto.
Na carta, publicada na última edição da revista, o misterioso atleta afirma ter recebido uma "quantia substancial de dinheiro" para garantir que sua equipe perdesse uma partida "muito importante". O jornal La Republica publicou que esse "consciente craque" é provavelmente um goleiro da Série A que mudou de time nos últimos dois anos e está "perto do fim de sua carreira".
As autoridades judiciais que investigam o caso pediram a Antonio Sciortino, editor da revista, que divulgasse o nome do jogador arrependido para que suas afirmações possam ser averiguadas. Mas monsenhor Sciortino declarou num editorial que as pessoas que escrevem cartas à Famiglia Cristiana têm plena certeza de que suas revelações são tratadas com o mesmo sigilo confidencial que o "segredo da confissão".
Mas as autoridades judiciais de Roma, Alba e Turim disseram que os editores da revista poderão ser processados se continuarem se recusando a revelar o nome do jogador ou entregar sua carta original. A disputa causou tensões dentro do próprio Vaticano. Na quarta-feira, o jornal LOsservatore Romano, órgão do Vaticano, parece ter tomado partido ao lado das autoridades italianas ao pedir à Famiglia Cristiana que cooperasse com a lei.

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