Itália vai ampliar investimentos externos, afirma ministro
Itália vai ampliar investimentos externos, afirma ministro13/Mar, 15:26 Por Maria Inês Migliaccio São Paulo, 13 (AE) - O ministro do Comércio Exterior da Itália, Piero Fassino, que lidera missão comercial em visita ao Brasil, disse que para as empresas italianas não basta exportar; há vantagens em produzir em país estrangeiro. Essa percepção, segundo Fassino, fará com que a Itália melhore sua posição no ranking de investimentos mundiais. Fatores culturais, segundo ele, impediram o País de assumir plenamente a globalização, apesar de tradicionalmente voltado para a exportação, primeiro de mão-de-obra (imigrantes) e em seguida de produtos. "Em 1998, a Itália ocupava o 15º lugar no mundo em investimentos externos. Em 1999, já alcançou o 10º lugar. Para 2000, calculo que o crescimento será mais significativo", afirmou. Para o ministro, não há antagonismo entre exportar produtos e exportar capitais. "São ações complementares", argumentou Massimo, após participar de seminário, seguido de almoço, na sede da Fiesp. Fassino, que reiterou o objetivo de incrementar o intercâmbio comercial entre os dois países, hoje restrito a US$ 5 bilhões, demonstrou otimismo em relação ao Brasil. Ele declarou-se impressionado com a capacidade de recuperação da economia brasileira. "Os principais institutos internacionais previam sua aceleração na segunda metade do ano, entretanto, isto já aconteceu e por isso estamos aqui. Queremos estar prontos para atender à demanda brasileira e entrar de forma mais agressiva em seu mercado", disse. "Minha visita também tem a intenção de preparar a visita oficial do presidente da República Carlo Azeglio Ciampi, que ocorrerá em maio." Segundo dados divulgados pelas autoridades italianas, os investimentos no Brasil passaram de US$ 100 milhões em 1996 para US$ 600 milhões em 1998, apresentando uma leve queda em 1999. Hoje, 10 mil empresas italianas exportam para o Brasil e a metade importa produtos brasileiros. As empresas italianas estão concentradas, atualmente, nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, segundo o Instituto do Comércio Exterior Italiano (ICE). "Muitas outras estão sendo atraídas para investir no País, pelos incentivos fiscais que o governo brasileiro oferece atualmente, como a isenção dos impostos federais sobre serviços e a redução dos impostos locais sobre a venda e propriedade", disse o diretor do ICE em São Paulo, Andrea Ambra. As oportunidades mais interessantes de colaboração industrial, de acordo com o diretor geral do ICE, Gioacchino Gabbuti, encontram-se nos setores agrícola, do turismo e da produção tecnológica avançada: automação, telecomunicações, eletrônica e transporte; assim como o setor moveleiro, do mármore e granito, têxtil e de material plástico e derivados. O presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva, destacou, durante a abertura do seminário, o "boom" de investimentos diretos estrangeiros no Brasil,que "alcançaram em 1999 o recorde histórico anual de US$ 30 bilhões". Neste ano, de acordo com Piva, calcula-se que os investimentos diretos estrangeiros já alcançaram US$ 4 bilhões e o fluxo total de 2.000 não deve ser inferior ao de 1999. Piva alertou os italianos de que a Espanha descobriu o Brasil e mais particularmente São Paulo, conquistando a liderança nas telecomunicações brasileiras. "A Telefônica de Espanha investiu em São Paulo, nos últimos dezoito meses, algo em torno de US$ 4 bilhões. Até o ano 2001, a Espanha pretende investir no Brasil outros US$ 10 bilhões. Portugal Telecom, por sua vez, chegou a São Paulo há pouco mais de um ano e já investiu em torno de US$ 600 milhões na Telesp Celular, transformada na maior empresa de telefone celular da América Latina", disse.





