Itália quer diplomacia em Kosovo, Blair quer ataques
Berlim, 25 (AE-REUTERS) - Rachas surgiram hoje (25) no front unido da Otan contra a Iugoslávia quando o primeiro-ministro italiano, Massimo DAlema, pediu pela volta da diplomacia depois dos primeiros ataques aliados.
Mas o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, rechaçou a idéia de um rápido retorno à diplomacia e disse que os líderes da Otan estavam unidos na disposição de continuar com a ofensiva contra alvos militares iugoslavos.
DAlema, cujo país é a principal base para forças aéreas da Otan participando na campanha, afirmou a repórteres na cúpula da União Européia que a primeira onda de bombardeios tinha forçado os sérvios a suspenderem uma repressão em Kosovo.
"Baseado na informação que pudemos receber, a primeira ação militar da Otan teve resultados significativos porque enfraqueceu o potencial militar sérvio e, parece, forçou os sérvios a suspenderem a ofensiva militar que conduziam contra a população civil em Kosovo", disse ele.
Sua declaração contrastou com relatórios da Otan dando conta que a repressão sérvia continuava nesta quinta-feira.
DAlema afirmou que estava chegando o momento de retomar uma iniciativa diplomática em Kosvo e saudou um pedido da Rússia por uma reunião do Grupo de Contato responsável pela diplomacia nos Bálcãs.
"Achamos que está se aproximando o momento de se dar voz à política e à diplomacia", disse. "Este será nosso comprometimento nas próximas horas".
Entretanto, aviões da Otan decolaram horas depois de bases na Itália para uma segunda noite de ataques contra alvos iugoslavos.
Perguntado sobre os comentários de DAlema, Blair respondeu: "Todos nós deixamos claros desde o início que, naturalmente, queremos uma solução diplomática. Mas ela não pode acontecer em bases outras que não seja a volta de (o presidente iugoslavo Slobodan) Milosevic aos eixos".
Belgrado tem de respeitar um cessar-fogo, retirar tropas de Kosovo, pôr fim à repressão e comportar-se de "maneira civilizada".
"Somente nessas bases uma solução diplomática própria pode ser encontrada. Enquanto isso, a ação tem de continuar em ordem de garantir que cumpramos nossos objetivos militares", disse Blair.
O premier britânico negou qualquer conflito entre aliados da Otan, afirmando: "A Otan está sólida e unida atrás desta posição".
Diplomatas afirmaram que a Grã-Bretanha pediu esclarecimentos sobre as declarações de DAlema e que ele teria recebido uma tradução em inglês.
Em outro sinal de dissensão, o primeiro-ministro grego, Costas Simitis, disse a repórteres em Berlim que ataques militares não irão resolver o conflito em Kosovo e reiterou sua oposição ao uso da força.
"Não acreditamos que o uso da força militar irá levar a uma solução", afirmou. "Esse conflito só pode ser resolvido com uma solução política. Ele não será resolvido com armas".
Ele disse que a Grécia, um membro da Otan, não estava participando dos bombardeios porque é um vizinho da Iugoslávia e Albânia.
Perguntado se bases aéreas gregas estavam sendo usadas, ele respondeu: "Você vai ter de se dirigir ao Ministério da Defesa para saber".
DAlema afirmou que era importante que o ministro do Interior da Rússia, Igor Ivanov, tenha sugerido um encontro das seis nações do Grupo de Contato, desde que isto mostrava que Moscou não está cortando laços com o Ocidente ou se afastando de seu papel no processo de paz de Kosovo.
O ministro do Exterior italiano, Lamberto Dini, disse mais tarde a repórteres: "O importante é determinar quando esta primeira fase de bombardeios (da Otan)... irá parar".
A posição da Itália reflete um mal-estar dentro do governo de centro-esquerda, cujo componente mais esquerdistas, o Partido dos Comunistas Italianos, tem ameaçado abandonar a coalizão se forças italianos participarem dos ataques da Otan.
Aviões italianos voaram ao lado da força aérea da outras 10 nações da Otan na primeira noite de ataques na quarta-feira.





