Roma, 09 (AE-REUTERS) - O presidente iraniano, Mohammad Khatami, recebeu hoje (09) uma calorosa recepção no início de uma visita oficial de três dias à Itália e ao Vaticano considerada como o início de uma nova era nas relações entre o Estado islâmico e o Ocidente.
"A república islâmica, tendo alcançado sua maturidade, está mais bem preparada para expandir tais relações. Deus queira, poderemos ter melhores laços", afirmou Khatami em Teerã antes de partir para a primeira visita de um presidente iraniano à Europa Ocidental desde a queda do xá em 1979.
O presidente italiano, Oscar Luigi Scalfaro, saudou Khatami em meio a colorida pompa estatal no presidencial Palácio de Quirinale, onde o presidente iraniano passou em revista uma guarda de honra.
Perguntado porque ele acreditava que a viagem à Itália era importante, Khatami, falando por intermédio de um intérprete, afirmou frente a uma multidão de repórteres e cinegrafistas no Quirinale:
"Como vocês sabem, cada visita tem um significado de amizade que é muito importante para o nosso país".
A Itália está desenrolando o tapete vermelho para o reformista clérigo xiita, que ministros italianos acreditam tem colocado o Irã no caminho da modernização e tem mostrado os melhores sinais de que Teerã quer se abrir para o Ocidente desde a derrubada do xá.
Mas o primeiro-ministro Massimo DAlema e o ministro do Exterior Lamberto Dini, que promoveram discussões com o presidente americano, Bill Clinton, na semana passada, têm prometido expressar suas reservas em relação à situação dos direitos humanos no Irã e pedir a Khatami que apoie a não proliferação de armas atômicas.
Apesar da oposição à visita por parte de cerca de um terço dos parlamentares italianos, líderes do governo de centro-esquerda têm sublinhado o que eles dizem ser a necessidade de agora mostrar um claro apoio a Khatami e a seus reformistas, em sua disputa contra conservadores e o clero tradicionalista que ainda detêm muito poder no Irã.
"Ele enfrenta a oposição de membros mais conservadores da sociedade islâmica, mas ele tem o apoio, como demonstrado nas recentes eleições, dos jovens, mulheres e do povo iraniano em geral", disse Dini à televisão italiana.
Ele afirmou que os Estados Unidos estavam acompanhando a visita "com grande interesse".
Enquanto Washington tem abrandado tenuamente sua posição frente ao Irã, ele ainda acusa o país de apoiar o terrorismo e buscar adquirir armas de destruição em massa.
Os Estados Unidos têm acusado firmas russas de ajudarem o Irã a desenvolver programas nuclear e de mísseis e impuseram sanções contra 10 companhias e institutos de pesquisa russos.
O comércio, em particular no setor de petróleo e gás natural, deve estar no centro das conversações entre os dois países. Uma fonte próxima à companhia de energia italiana ENI disse que é provável que haverá contatos entre funcionários da empresa e membros da delegação iraniana.
A ENI e a companhia petrolífera francesa ELF-Aquitaine assinaram na semana passada um contrato de US$ 1 bilhão com a Companhia Nacional de Petróleo Iraniana para desenvolver a plataforma de exploração submarina de Doroud.
Enquanto Khatami e sua comitiva eram saudados no palácio presidencial, a menos de um quilômetro de distância perto das ruínas da Roma antiga, milhares de oposicionistas iranianos e seus partidários protestavam contra a visita.
Os oposicionistas afirmam que pouca coisa mudou desde que Khatami assumiu o poder há 21 meses, alegando que mais de 300 pessoass foram publicamente executadas, nove pessoas foram apedrejadas até à morte e 28 dissidentes assassinados no exterior neste período.

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