Itália e França se recusam a receber refugiados Do correspondente REALI JÚNIOR
Paris, 05 (AE) - França e Itália, os dois países da Otan que enfrentam dificuldades junto a suas maiorias governamentais por causa de suas posições favoráveis aos ataques aéreos, não aceitaram, ao contrário de outros países europeus, receber grupos de refugiados de origem albanesa do Kosovo - ao todo mais de 100 mil pessoas entre as 400 mil deportadas pelos sérvios.
A Alemanha dispõe-se a receber 40 mil refugiados, os EUA e a Turquia 20 mil, a Grã-Bretanha 10 mil e a Grécia 5 mil, mas a França pretende privilegiar a ajuda local para não fazer o jogo do presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, segundo revelou o primeiro-ministro francês, Lionel Jospin: "O objetivo é que essas pessoas voltem para sua terra. Não podemos aceitar o fato consumado de deportações perpetradas pelos sérvios."
Também o ministro de Defesa da França, Alain Richard, revelou que essa transferência de refugiados para outros países poderia ter um caráter definitivo, quando, na verdade, o objetivo é que essa presença fora de Kosovo seja a mais provisória possível.
Na verdade, França e Itália não querem agravar ainda mais o problema da imigração em seus respectivos países. Se eles receberem um grande número de refugiados de origem albanesa poderá ocorrer uma nova desestabilização dessa política que já tem sido fonte de tantos ataques pelos setores mais conservadores da oposição.
A Itália é constantemente ameaçada pela imigração albanesa vinda da costa adriática, enquanto a França enfrenta o difícil problema dos imigrantes clandestinos que lutam pela regulamentação de sua situação.
A França vai propor na próxima reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI), a criação do "Comitê dos Bálcãs", cuja meta será ajudar, no plano econômico e financeiro, países vizinhos do Kosovo - Albânia, Macedônia e Montenegro - que estão recebendo os refugiados.





