Itália debate modelo de distritos industriais na Fiesp
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domingo, 24 de outubro de 1999
por Inês Migliaccio 
São Paulo, 25 (AE) - A experiência dos distritos industriais italianos está sendo apresentada por Gianfranco Viesti, assessor do primeiro ministro da Itália, Massimo DAlema
em debate promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e o Instituto Italiano para o Comércio Exterior (ICE), nesta manhã, na sede da Fiesp. Trata-se de um rede de pequenas e médias empresas das regiões de Emilia Romagna
Lombardia, Veneto, Toscana, entre outras, que exportam em média 50% de sua produção, e respondem por um terço das exportações e cerca de 10% do Produto Interno Bruto italiano, além de empregar 42,5% de toda a mão-de-obra industrial daquele país.
O objetivo do debate é reforçar, no Brasil, a imagem dos produtos "made in Italy" que contam com seus centros de excelência nos distritos industriais: um sistema econômico que alcançou certo prestígio em muitos países. Segundo Viesti, "os distritos italianos obviamente apresentam alguns problemas e sua receita para o desenvolvimento não é a única viável, mas suas empresas são dinâmicas, radicadas no próprio país e ao mesmo tempo projetadas no mercado internacional, também apresentam nível de emprego estabilizado com taxa de produtividade superior à média, elevada participação da população feminina na atividade econômica, e renda per capita superior ao valor da média nacional: características que exercem certo fascínio na economia mundial".
De acordo com Andrea Ambra, diretor do Instituto do Comércio Exterior Italiano no Brasil (ICE), o sistema econômico dos distritos italianos está sendo aplicado em muitos países emergentes do Leste Europeu. O próprio diretor do ICE acompanhou a instalação de 6.500 empresas italianas em Romênia, depois da sua abertura político-econômica, no início desta década. "Para os italianos, a criação de parcerias nestes países é mais acessível do que no Brasil, pela proximidade geográfica que facilita o controle da operação e a busca da legislação conveniente", analisa Ambra.
Os distritos industriais italianos nasceram sem programas de ajuda ou de acompanhamento, desenvolveram-se em tempos diferentes e diversos são os caminhos de seu crescimento e setores produtivos nos quais se especializaram.
"Na Itália, não existem organismos jurídicos ou administrativos que se ocupem institucionalmente dos distritos industriais. Apenas foram criadas agências locais de desenvolvimento, quando os distritos já alcançaram um alto nível de atividade econômica e tecnológica", destaca Ronaldo Padovani
analista do ICE.
Os programas de política industrial adotados naquele país aplicam-se, sobretudo, aos setores de alta tecnologia, químico e automobilístico, às grandes empresas, à criação de novos postos de trabalho em regiões menos favorecidas. E, na maioria dos casos, os distritos industriais não possuem estas características. Estão especializados em setores tradicionais, como moda, alimentos, móveis e decoração. Por essa razão, não é surpreendente que os distritos industriais não participem nos debates públicos da União Européia, nem do governo italiano. Entretanto, segundo Padovani, "a experiência demonstra que a flexibilidade e a capacidade de inovação das pequenas empresas, estreitamente ligadas à dimensão territorial e a sua interação, facilitam sua penetração no mercado".


