Deve ficar pronto em quatro meses o maior canal migratório de peixes do mundo, que está sendo construído em Foz do Iguaçu. A obra tem como objetivo corrigir um desequilíbrio ambiental causado pela construção da usina hidrelétrica de Itaipu e vai custar R$ 8 milhões.
Desde a construção da barragem de Itaipu, espécies como o dourado, pacu, piracanjuba e o pintado estavam impedidas de migrar rio acima durante o período de desova dos peixes. A abertura do canal vai facilitar a piracema e, por consequência, a reprodução destas espécies, prejudicada pelo obstáculo formado pela barragem.
Desde a construção da barragem de Itaipu, há 15 anos, não há piracema no Rio Paraná. No período entre outubro e fevereiro, os peixes acabam desovando junto à barragem. As águas turbulentas fazem com que a maioria dos ovos se rompa.
Apesar de não existir pesquisa científica sobre o assunto, a dificuldade de reprodução tem provocado queda significativa no volume de peixe pescado nos últimos anos no Rio Paraná.
O engenheiro da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, Eduardo Quezada, explica que as obras do canal de migração conciliam preservação ambiental, prática esportiva e lazer. ‘‘Teremos canais de águas bravas e também de águas calmas, cada um adequado a um tipo de esporte náutico’’, diz.
Nas margens do canal serão realizadas obras de paisagismo, com o plantio de oito mil árvores de espécies nativas. O canal faz parte do projeto Parque da Barragem e tem seis quilômetros de extensão. As obras, que ficaram paralisadas durante três meses para ajustes técnicos do projeto, foram retomadas no início de junho. O trabalho está sendo feito pelo Exército em parceria com o governo estadual.
Após o término das obras do canal, o governo abrirá uma concorrência internacional para a realização de construções complementares no Parque da Barragem. Grupos nacionais e estrangeiros já manifestaram interesse me investir no setor de turismo e lazer.
Metade da extensão do canal segue o leito do Rio Bela Vista, que nasce perto do Lago de Itaipu e deságua no Rio Paraná. Para vencer o volume de água vindo do reservatório á- de até 35 metros cúbicos por segundo - o leito do Rio Bela Vista foi alargado. A outra metade do canal foi construída com a abertura de um leito artificial, completando a ligação das partes baixas do Rio Paraná, num desnível de 120 metros de altura. O canal terá sete comportas para regular o fluxo de água.

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