Itaipu recebe prêmio da ONU por gestão da água
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segunda-feira, 30 de março de 2015
Celso Felizardo<br> Reportagem Local 
Londrina Representantes da Itaipu Binacional receberam ontem, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, o prêmio Água para a Vida 2015, que reconheceu o programa Cultivando Água Boa como a melhor política de gestão de recursos hídricos do planeta. O programa desenvolvido pela hidrelétrica e mais dois mil parceiros na Bacia do Rio Paraná 3, no Oeste do Estado, concorreu com 40 práticas de todo o mundo e levou o 1º lugar na categoria "Melhores práticas em gestão da água", concedido pela ONU-Água.
Entre os concorrentes estavam dez práticas inscritas pela Europa, 11 da África, 20 pela Ásia, 23 pela América Latina e Caribe e um pela Oceania. O Brasil inscreveu sete trabalhos. A escolha foi feita por um comitê especial da ONU, formado por especialistas em meio ambiente, água e desenvolvimento sustentável. A outra categoria do prêmio, "Melhores práticas de participação pública, educativas, de comunicação e de sensibilização", teve a participação de 25 projetos. O primeiro lugar foi dividido entre iniciativas da Índia e da África do Sul.
O diretor-geral brasileiro da Itaipu, Jorge Samek, que foi receber o prêmio ao lado do diretor de Coordenação e Meio Ambiente, Nelton Friedrich, ressaltou o peso da ONU, que chancela o prêmio que transcende todas as outras premiações já recebidas. "A premiação se estende aos mais de dois mil parceiros da iniciativa, pois se trata de um programa participativo que vem contribuindo para a melhoria das condições ambientais da região", destacou. Em 2005, o Cultivando Água Boa conquistou o prêmio Carta da Terra (Earth Charter + 5), entregue em Amsterdã, Holanda.
Para Friedrich, a receita de sucesso do programa é a participação das comunidades em toda a área de 8 mil quilômetros quadrados que abriga um milhão de pessoas. "A estratégia é organizar as comunidades de forma que haja ampla participação dos atores locais em todas as etapas do processo", disse. Segundo ele, a inclusão social abrange comunidades indígenas, pescadores, quilombolas, catadores de recicláveis, jovens e pequenos produtores.
O Programa Cultivando Água Boa foi instituído em 2003 e desenvolve 20 subprogramas e 65 ações em 29 municípios entre Foz do Iguaçu, Guaíra e Cascavel. Ao todo, são 206 microbacias atendidas com projetos de recuperações, proteção de nascentes, recomposição de matas ciliares, conservação de solos e abastecimento de comunidades.
Outro foco é a promoção de sistemas de produção e consumo sustentáveis. Em parceria com o Programa Nacional de Alimentação Escolar, no setor de aquisição direta, 60% dos alimentos oferecidos nas escolas municipais dos 29 municípios são produzidos por agricultores familiares da região. As comunidades envolvidas atuam na produção de energias renováveis, cultivo de orgânicos, recuperação da mata ciliar, cultivo de plantas medicinais e pesca em tanques-rede. Só no Lago de Itaipu, são mais de 700 tanques-rede que produzem 6 mil toneladas de peixe por ano.
Segundo a Itaipu, o projeto piloto do Cultivando Água Boa já foi replicado em países como Guatemala, República Dominicana, Bolívia, Argentina, Uruguai e Paraguai. Recentemente, foi adotado em Minas Gerais como política pública de sustentabilidade. Governos de outros estados procuraram a hidrelétrica para buscar informações técnicas sobre o programa.


