Os principais museus do Brasil estão recebendo catálogos com a produção artística e cultural de 68 artistas plásticos dos 15 municípios paranaenses e um sul-matogrossense banhados pelo Lago de Itaipu. O catálogo reúne trabalhos que integram o projeto ‘‘Olho da Terra’’, desenvolvido pelo Ecomuseu de Itaipu e pela Associação Cultural dos Artistas Plásticos do Iguaçu (Acapi). Foram retratados desde quadros em óleo sobre tela até esculturas em cerâmica e artesanato em madeira e vime.
A seleção para a produção do material foi iniciada em 1996, com o cadastramento de 124 artistas de 15 municípios paranaenses que integram a Costa Oeste - entre eles Foz do Iguaçu, Santa Helena, Medianeira e Guaíra- e ainda Mundo Novo (MS). Para a seleção, a coordenação levou em conta a técnica usada pelos profissionais e escolheu aqueles que apresentavam maior expressão dentro de seus municípios.
A artista plástica Maria Cheung, 41 anos, de Foz do Iguaçu, uma das coordenadoras do ‘‘Olho da Terra’’, explica que a finalidade do catálogo é divulgar as potencialidades artísticas dos municípios na margem do lago para outras partes do Brasil.
‘‘Quando realizamos a nossa pesquisa, descobrimos artistas de grande capacidade, mas que, por falta de incentivo, não são conhecidos. Com a divulgação do catálogo, a nossa intenção é impulsionar esse profissionais e tirá-los do anonimato’’, afirma Maria.
A segunda parte do projeto ‘‘Olho da Terra’’, que é a realização de oficinas para o aprimoramento dos artistas que participam do projeto, está prevista para o início do próximo ano.
Os artistas plásticos Megumi Yuasa, de São Paulo, Dulce Osinsky e Elvo Benito Damo - ambos de Curitiba - serão os responsáveis pelas oficinas, que devem ser realizados em Foz do Iguaçu, Marechal Cândido Rondom e Santa Helena.
‘‘Além de divulgar os artistas dos municípios lindeiros, o projeto também prevê a realização de um intercâmbio entre os profissionais, para que eles possam explorar novos conhecimentos’’, destaca Maria Cheung.
A artista plástica Fátima Zardo, de 34 anos, de Entre Rios do Oeste, diz que, a partir do projeto, seu trabalho passou a ser mais reconhecido. ‘‘Se não fosse dessa forma, acho que nosso trabalho não apareceria para as outras regiões do País. Esse apoio é fundamental para que os artistas de cidades pouco desenvolvidas possam ter projeção nacional.’’

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