A Usina de Itaipu, no Rio Paraná, vem há alguns anos trabalhando o problema das barragens e sua influência na mudança no meio ambiente. Tentou-se, inclusive, a criação de dourados em cativeiro, que revelou-se ‘‘não compensatória’’. Mas pesquisas continuam nesta direção.
Enquanto isso, segundo o biólogo Helio Fontes, da área de Ecossistema da Itaipu, um trabalho conjunto com a Usina de Apipe-Yaciretá, na Argentina, vem marcando peixes para estudar a sua capacidade migratória. Há ainda preocupação com a influência da Usina de Corpus (em construção), entre Yaciretá e Itaipu.
Quanto à piracema, Itaipu espera a construção de um canal de migração na barragem, esta a cargo do governo do Estado.
De acordo com Helio Fontes, à montante do reservatório de Itaipu, há um bom trecho do rio Paraná, acima de Guaíra e até o Porto Primavera, (SP) onde os peixes migratórios se reproduzem inclusive em bons afluentes no Paraná e principalmente no Mato Grosso do Sul.
O reservatório de Itaipu, neste trecho, virou o Lar da Alimentação - na terminologia do professor Manuel Pereira de Godoy, de Pirassununga - e o trecho do Paraná até Porto Primavera, com seus afluentes, o Lar da Reprodução dos peixes migratórios. Entre Itaipu e Primavera, está a Usina de Ilha Grande, e é interessante destacar que esta barragem conta com a escada de peixe em degraus-tanque.
Uma boa notícia é que a Usina Engenheiro Sérgio Motta, em Porto Primavera, que pode encher seu reservatório (maior que Itaipu) a qualquer momento, contará com escada e elevador de peixes. Conforme Hélio Fontes, não se sabe ainda como a barragem de Primavera, da Cesp, vai influir na migração. (M.C.G.)

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