São Paulo - O número de mortos confirmados no desastre do rompimento de uma barragem da mineradora Vale em Brumadinho (MG) subiu para 65 nesta segunda-feira (28). De acordo com balanço divulgado pelas autoridades responsáveis pelas buscas, 292 pessoas estão desaparecidas. Levantamento aponta ainda que 192 vítimas foram resgatadas com vida pelo Corpo de Bombeiros.

As forças de segurança que trabalham nas operações de busca se reuniram pela primeira vez com a equipe israelense que chegou na noite de domingo (27) para auxiliar no resgate. A expectativa é que os 136 militares agilizem o processo de retirada de vítimas da lama. Entre os equipamentos trazidos de Israel estão sonares que podem detectar sinais de celular a até três metros de profundidade e distinguir a lama de outras substâncias, como corpos.

No domingo os bombeiros iniciaram a evacuação de comunidades de Brumadinho após a constatação de que uma segunda barragem da Vale apresentava risco iminente de rompimento. Um alarme de aviso sobre rompimento de barragem soou às 5h30. A possibilidade de um novo rompimento foi descartada depois. A barragem 1, que se rompeu, é uma estrutura de porte médio para a contenção de rejeitos e estava desativada. Seu risco era avaliado como baixo, mas o dano potencial em caso de acidente era alto.

CRÍTICAS

Após críticas do comandante das operações de resgate em Brumadinho aos equipamentos israelenses usados para buscar vítimas da tragédia, o embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley, afirmou que há pessoas com ciúmes e que a missão do país já encontrou cinco corpos em poucas horas de atuação. No entanto, só dois resgates haviam sido contabilizados oficialmente. "Israel tem todo o equipamento necessário para salvar vidas, inclusive para mergulhar na lama. Essa notícia que saiu hoje é fake news."

O tenente-coronel Eduardo Ângelo afirmou que o "imagiador" que os israelenses têm pegam corpos quentes, e todos os corpos já estariam frios a essa altura. "Então esse já é um equipamento ineficiente", disse. "Dos equipamentos que eles trouxeram, nenhum se aplica a esse tipo de desastre."

A equipe da Força de Defesa de Israel trouxe ao país um sistema de localização de sinal de celular e estratégias de resgate com cordas e construção de bases para operações na água, além de drones. "Vamos deixar de lado as pessoas que querem brigar. Nós faremos o trabalho que é preciso fazer e os resultados virão ao longo dos próximos dias. Nossas ações mostram a grande cooperação e o grande coração de Israel. Não precisamos escutar as pessoas que estão com ciúmes. Fazemos tudo com o coração", afirmou.

"Em outros países recebemos só elogios, como no México, nas Filipinas. Quem estiver frustrado com a melhora no relacionamento entre Israel e Brasil que se acostume e 'engula o chapéu'."

A delegação israelense que chegou neste domingo (27) a Minas Gerais tem cerca de 130 soldados e oficiais reservistas, entre eles especialistas em engenharia, médicos e pessoal de resgate, além de soldados da Unidade Canina Oketz (picada, em hebraico), bombeiros da Brigada de Incêndio Lehava (chama) e membros da unidade submarina da Marinha. Ela é chefiada pelo comandante da Unidade Nacional de Resgate, o coronel Golan Vach.

A brigada é conhecida pela mobilização rápida, pesquisa de engenharia de edifícios, pelas provisões de assistência médica e uso de equipamentos tecnológicos.

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