Israelenses e palestinos tentam acordo de último minuto
Jerusalém, 31 (AE-AP) - Às vésperas da chegada da secretária de Estado americana, Madeleine Albright, ao Oriente Médio, na quinta-feira, os negociadores palestinos e israelenses reuniram-se hoje (31) em um local secreto na tentativa de se chegar a um entendimento para pôr em prática a etapa final do Acordo de Wye Plantation, assinado em outubro entre a Autoridade Palestina (AP) e Israel, informaram fontes dos dois lados.
O acordo poderá ser adiado mais uma vez, porém, se a polícia israelense concluir que dois jovens judeus encontrados mortos segunda-feira na cidade autônoma de Jenin, na Cisjordânia, foram vítimas de um atentado palestino. Nenhuma organização reivindicou a autoria do ataque.
Ao mesmo tempo, o jornal britânico The Financial Times assegurou em sua edição de hoje que o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, estaria disposto a reconhecer o Estado palestino em janeiro, desde que a AP concorde em deixar de lado, por enquanto, a discussão sobre o estatuto de Jerusalém e a questão dos refugiados palestinos. O diário assinalou ter como fontes funcionários do governo israelense.
Jerusalém é um dos pontos mais delicados das negociações de paz, já que a AP, liderada por Yasser Arafat, pretende tornar o lado oriental da cidade - anexada por Israel durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967 - a capital da Palestina. Os refugiados palestinos, de 700 mil a 1,2 milhão de pessoas que viviam no território hoje formado por Israel, exilaram-se em vários países após a derrota dos árabes na guerra de 1948 contra o Estado judeu. Hoje, são estimados em 3 milhões de pessoas.
O governo israelense sempre se opôs a seu retorno à região, por temer que os judeus se tornem minoria no país. O Financial Times ressalva, citando fontes palestinas e israelenses, que seria muito difícil para Arafat desatrelar da criação do Estado a questão de Jerusalém e dos refugiados, pois seria acusado de traição.
Em relação aos termos para aplicação do acordo de Wye, os pontos mais intrincados são a definição do número de presos palestinos a ser soltos por Israel e a data de saída das tropas israelenses da Cisjordânia. Pelo trato, Tel-Aviv deve retirar-se de 13,1% da Cisjordânia e libertar 750 prisioneiros em troca da ampliação das medidas de segurança por parte da AP. Entretanto, Israel soltou apenas 250, na maioria criminosos comuns. Barak teria proposto soltar agora 500, mas a AP pleiteia um número maior. Quanto à retirada, os palestinos teriam concordado em distribuí-la por três etapas e não duas, como previsto.





