Israelenses e palestinos concordam com os termos da segunda libertação de detentos
Jerusalém, 13 (AE-AP) - Israel e Autoridade Palestina concordaram que a segunda libertação de palestinos presos por atos contrários a Israel acontecerá esta semana, disseram hoje os negociadores, superando um obstáculo que frustrou a retomada das negociações de paz.
A segunda libertação de prisioneiros agendada no acordo de Sharm el-Sheik, deveria ter ocorrido no dia 8 de outubro, quando os lados não concordaram com os prisioneiros que seriam libertados. Os negociadores disseram que os prisioneiros devem ser soltos na sexta-feira.
"Nós chegamos a um acordo sobre a segunda leva de prisioneiros: 151 detentos", disse o negociador palestino Hisham Abdel Razek à AP. "Os israelenses precisam agora de um dia para medidas técnicas". O atraso veio depois que os palestinos insistiram em incluir alguns prisioneiros presos por matar israelenses, algo que o primeiro-ministro Ehud Barak disse repetidamente que não admitiria.
Os palestinos acusaram Barak de fraude, dizendo que constavam da sua lista prisioneiros que seriam libertados em meses de qualquer maneira.
Moshe Debi, porta-voz do ministro da Segurança Pública, Schlomo Ben-Ami, anunciou que nenhum prisioneiro que tenha matado israelenses seria libertado.
Abdel Razek disse que os oficiais de defesa israelenses diminuíram sua oposição à libertação de prisioneiros mais jovens - considerados um risco por causa da possibilidade de voltarem ao ativismo anti-israelense.
Nenhum dos lados anunciou o conteúdo da lista.
A primeira libertação dos 199 prisioneiros em setembro incluiu palestinos que tinham matado colaboradores palestinos e palestinos que feriram israelenses. A libertação ocorreu sem muita oposição pública.
Se a segunda libertação incluísse palestinos que mataram israelenses, poderia deflagrar a oposição interna à retomada do processo de paz, e destruir as promessas de Barak para um acordo final com os palestinos em um ano.
Os palestinos consideram os 2000 detentos como "soldados" que sacrificaram sua liberdade pela autonomia da Palestina.
O atraso na segunda libertação, assim como o anúncio da expansão dos assentamentos nas áreas disputadas e o atraso na abertura da passagem segura entre as áreas autônomas da Palestina, diminuíram o entusiasmo dos palestinos pela retomada do processo de paz.
Barak tentou reanimar os palestinos comprometendo-se a libertar palestinos que tivessem sido presos depois dos acordos de paz de 1993, incluindo prisioneiros pertencentes a grupos islâmicos que ainda se opõem ao processo de paz. Tais propostas não foram suficientes para o estabelecimento de um acordo e levaram a uma nova rodada de negociações.





