Jerusalém, 13 (AE-AP) - O primeiro-ministro israelense Ehud Barak negou nesta segunda-feira (13) acusações da oposição de que já tenha acertado secretamente com a Síria a devolução total das Colinas do Golan, mas ressaltou que Israel terá de pagar um alto preço territorial pela paz.
Hoje, Barak obteve importante respaldo parlamentar para abrir as negociações com o regime de Damasco. A votação, vencida por 47 votos a 31 e 24 abstenções, foi um indício da profundidade das divisões em Israel sobre o "preço doloroso" da paz com a Síria, dando a entender que Barak estaria pronto a ceder grande parte ou todo o Golan.
Às vésperas da retomada, depois de amanhã, das negociações com a Síria após quase quatro anos de suspensão, Barak mostrou-se otimista, estimando que em seis meses poderá levar a referendo popular um acordo com a Síria e provavelmente com o Líbano.
"Este momento é uma oportunidade que não pode ser perdida", afirmou o primeiro-ministro em discurso ao Parlamento, antes de uma votação sobre sua iniciativa de paz. "Se for desperdiçada - Deus nos proteja -, isso poderá nos custar sangue."
Barak embarcará amanhã para Washington, onde se reunirá no dia seguinte com o chanceler sírio Faruq al-Shara e com o presidente norte-americano Bill Clinton. Esta primeira rodada de negociações deverá durar dois dias. Fontes sírias disseram ontem que a rodada seguinte, que ainda não tem data marcada, será também nos Estados Unidos.
Antes de embarcar hoje para Washington, Al-Shara também mostrou-se otimista, estimando que "poucos meses serão suficientes para alcançar um acordo".
Tanto otimismo depois de 45 meses de suspensão - pelo menos formal - das negociações despertou na oposição israelense suspeitas de que já tenha feito algum acerto secreto. Barak garantiu que não.
"Temos pela frente negociações muito difíceis, cujos resultados, é claro, não estão determinados de antemão. Nossa prioridade número 1 é a segurança de Israel", afirmou o líder trabalhista ao Parlamento.
"Eu não posso prometer que é possível alcançar um acordo sem um alto preço territorial", assinalou, referindo-se à desocupação militar do Golan, tomado dos sírios em 1967. "O alcance (da retirada) será determinado nas negociações, de acordo com a profundidade da paz e a qualidade dos arranjos de segurança."

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