Israel retira-se de reunião após morte de soldado no Líbano
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2000
Por Zeina Karam 
Beirute, 11 (AE-AP) - Sem se intimidar com as ameaças israelenses de severas represálias, o grupo guerrilheiro libanês Hezbollah matou hoje (11) mais um soldado de Israel no sul do Líbano - o sétimo em menos de três semanas.
Em resposta, o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, determinou a retirada de sua delegação de um comitê internacional que estava prestes a iniciar uma reunião no sul do Líbano para tentar reduzir a tensão, e anunciou que o Estado judeu responderá no momento adequado, "com ataques muito duros no Líbano".
Ele reiterou, entretanto, a promessa de retirar suas tropas do país vizinho até julho. "A guerra está entrando nos últimos estágios", disse Barak à TV Canal 2, enquanto a aviação israelense lançava as retaliações habituais - ataques contra supostos objetivos do Hezbollah no sul do Líbano pelo 13º dia seguido.
"Dentro de quatro meses e meio, estou determinado a pôr fim a esta tragédia no Líbano, que já dura 18 anos, e a trazer os garotos de volta para casa, para a fronteira internacional." Israel ocupa o sul do Líbano desde sua desastrosa invasão do país em 1982.
O soldado Zachi Yitachi, de 19 anos, foi morto por volta do meio-dia local num ataque com mísseis contra um posto militar israelense perto do Castelo Beaufort. Outros dois soldados ficaram feridos, um deles gravemente, informou o Exército.
Em comunicado, o Hezbollah assinalou que sua ação provou "a completa impotência do inimigo diante das proezas dos lutadores da resistência".
O ataque foi lançado um dia depois que o governo israelense ameaçou responder à morte de militares pelos guerrilheiros com mais ataques contra alvos civis no Líbano.
Terça-feira, a aviação israelense feriu 15 civis e destruiu três centrais elétricas no país vizinho, entre elas a que abastecia Beirute, forçando o início de um rígido racionamento. Os danos foram estimados em US$ 50 milhões.
Temendo novos ataques israelenses contra alvos civis, o Líbano apelou às intervenções de Estados Unidos e França. O primeiro-ministro Salim Hoss destacou os EUA por ser este "o país que exerce a maior influência em Israel", mas também pediu a outras potências e à comunidade internacional "para assumir sua responsabilidade (de conter Israel) em nome do direito e da justiça".
A retomada da violência hoje ocorreu enquanto delegados do Grupo de Monitoração internacional desembarcavam na cidade fronteiriça sulista libanesa de Naqoura a fim de discutir como conter a escalada.
Um breve comunicado assinado por EUA e França, que co-presidem o grupo de cinco nações, informou que os delegados israelenses receberam instrução de retornar para casa devido às ações militares do começo da manhã.
Não foi reprogramado um novo encontro, mas França e Estados Unidos prometeram se "manter em contato com todas as partes em relação aos próximos passos".
Israel concordara ontem em participar do encontro depois da intervenção diplomática dos Estados Unidos. O Grupo de Monitoração nasceu a partir do entendimento de abril de 1996, mediado pelos EUA, entre Israel e o Hezbollah que proíbe ataques contra ou de áreas civis. O entendimento foi alcançado depois dos violentos ataques israelenses de 1996 contra o Líbano nos quais pelo menos 175 libaneses foram mortos.
Na quinta-feira, o vice-ministro da Defesa israelense, Ephraim Sneh, havia dito que as regras da guerra no Líbano haviam mudado
e que Israel iria então retaliar também por baixas militares, além de ataques de mísseis do Hezbollah contra cidades fronteiriças de Israel.
Os recentes combates minaram consideravelmente as chances de uma retomada das conversações de paz entre Israel e Síria, suspensas indefinidamente no mês passado. Israel tem exigido que a Síria, a potência com maior influência no Líbano, contenha as guerrilhas do Hezbollah a fim de provar que negocia seriamente a paz. A Síria responsabiliza Israel pela escalada.
Hoje em Washington, o Departamento de Estado americano acusou a Síria de não usar sua influência sobre o Hezbollah para deter os ataques contra israelenses no sul do Líbano. O porta-voz James P. Rubin também criticou duramente o Hezbollah, dizendo que seus ataques de hoje foram "uma tentativa deliberada... de destroçar as perspectivas de paz na região".


