Jerusalém, 13 (AE-AP) - Negociadores israelenses insistiram nas negociações com a Síria para que permita aos colonos judeus permanecerem nas Colinas do Golan após uma retirada militar israelense, mas não se comprometeu a sair de todo o planalto, de acordo com um documento secreto norte-americano publicado nesta quinta-feira (13) por um jornal israelense.
O texto, apresentado aos negociadores pelo presidente norte-americano Bill Clinton na semana passada para resumir as posições, também confirma a aceitação da Síria em relação ao gerenciamento conjunto das fontes de água do Golan e aceitou o estabelecimento de postos de observação nas colinas, gerenciados por forças norte-americanas e francesas.
De acordo com o documento, publicado no jornal Haaretz e enviado por fax à redação da Associated Press, os dois lados tiveram um progresso considerável ao detalhar relações futuras. Ambos concordaram com relações diplomáticas plenas, passagens de fronteiras abertas, comércio livre e cooperação no ramo de turismo. Israel, cauteloso em relação a possíveis tentativas sírias de normalização lenta, exigiu a criação de um cronograma para cada etapa.
Em uma referência velada aos guerrilheiros do grupo pró-iraniano Hezbollah lutando contra soldados israelenses no sul do Líbano - país onde a Síria exerce grande influência -, os sírios assinaram uma cláusula para que nenhuma parte envolvida instigue a violência de terceiros.
Durante muito tempo, Israel acusou a Síria de tolerar, se não encorajar, os ataques do Hezbollah contra soldados israelenses. Em um aparente aviso à Síria, o primeiro-ministro israelense Ehud Barak afirmou que qualquer incidente no sul do Líbano poderia paralisar as negociações de paz por muitos meses.
"Há algumas coisas que poderiam atrapalhar um acordo com a Síria, como severos ataques terroristas no Líbano", disse Barak em entrevista ao jornal Maariv. "Nossa resposta a tal atividade poderia tirar o processo de paz dos trilhos."
O ministro de Turismo israelense Amnon Lipkin-Shahak, que estava presente nas negociações de paz da semana passada em Shepherdstown, Estados Unidos, confirmou nesta quinta-feira que Israel pretende dar aos colonos a opção de permanecer, mesmo sob soberania síria.

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