Beituniya, Cisjordânia, 15 (AE-AP) - Israel libertou hoje 151 prisioneiros árabes, cumprindo os termos do acordo de paz com os palestinos, depois de alguns atrasos.
Comboios de ônibus levando os prisioneiros foram recebidos por multidões, salvas de tiros e bandas de música na Cisjordãnia e na Faixa de Gaza. Prisioneiros debruçavam-se nas janelas dos ônibus, fazendo sinal de vitória, embora ainda tivessem as mãos presas por algemas de plástico.
"Mãe, ele está livre", gritava um garoto de dez anos num celular, ao ver seu irmão em um dos ônibus.
A libertação de prisioneiros é uma questão muito delicada para ambos os lados, sempre carregada de emoção. Os palestinos consideram os presos como heróis na luta pela independência, enquanto a maior parte dos israelenses se opõe fortemente à libertação daqueles que tenham matado israelenses em ataques terroristas.
Como parte do último acordo interino de paz, Israel libertou 199 prisioneiros em setembro e em 8 de outubro deveria libertar mais 151. A segunda libertação foi adiada por uma divergência entre Israel e a Autoridade Palestina sobre os nomes dos prisioneiros que seriam beneficiados. Um terceiro grupo deve ser libertado em dezembro, marcando o início do Ramadã, o mês sagrado para os muçulmanos.
O líder palestino Yasser Arafat, que está em Tóquio, disse que a libertação de hoje é um passo parcial. "Ainda há muitos outros prisioneiros e nós trabalharemos duro com os israelenses para conseguir sua libertação", teria dito Arafat, segundo a agência de notícias Kyodo.
Entre os libertados hoje, estavam 109 palestinos e 42 presos de outros países árabes. Setenta e cinco estavam em prisão perpétua. Entre estes, 44 mataram árabes suspeitos de colaborar com Israel.
Nasser Abu Hmeid matou nove suspeitos colaboradores e estava na lista dos libertados de hoje. A rádio israelense informou que Hmeid foi solto depois de um pedido do próprio Arafat.
A maior parte dos prisioneiros pertencia ao Fatah, facção da OLP liderada por Arafat, enquanto 10 eram membros do Hamas e do Jihad Islâmica, grupos militantes que se opõem aos acordos de paz. Israel inicialmente recusou-se a libertar militantes islâmicos, mas depois facilitou seus critérios.
Num ponto perta da cidade de Beituniya, na Cisjordânia, familiares esperavam ansiosamente pelos ônibus que trariam os prisioneiros, alguns checando a lista com os nomes em jornais.
Cinco judeus extremistas agruparam-se por perto, cantando "Morte aos terroristas". Um dos manifestantes, Noam Federman, disse que Israel deveria "levar os prisioneiros até a praça central e enforcá-los todos". Tropas israelenses moviam-se entre os dois grupos para impedir confrontos.
Perto da cidade de Hebron, também na Cisjordânica, o adolescente Mahammed Sakhouri esperava os prisoneiros com um celular colado à orelha, para dividir o momento com sua mãe, que estava em casa. "Mãe, ele está livre!", gritou ao ver o irmão Shukri, de 33 anos, em um dos ônibus.
Shukri Sakhouri, que foi condenado à prisão perpétua por ter matado um suspeito colaborador e ferido israelenses, abraçou e beijou seu filho de 7 anos, Ashraf, ao sair do ônibus. "Espero que o presidente Arafat faça todos os esforços possíveis para libertar os outros prisoneiros, porque todos nós queremos ser libertados", disse.
Alguns ficaram desapontados. Hashiba Shehade, chorou ao saber que seu filho não tinha sido libertado.
O funcionário da Autoridade Palestina, Hisham Abdel Razek, que negociou as libertações com Israel, disse que os prisioneiros jordanianos, egípcios, libaneses, iraquianos e líbios teriam uma recepção especial num campo na cidade de Gaza. Depois disso, arranjos seriam feitos para a volta deles para suas casas.
No próximo passo no acordo de paz, Israel deve abrir no domingo a estrada para os palestinos, entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. A chamada estrada segura , vista como um passo em direção à criação do Estado palestino, vai permitir que os palestinos viajem pela primeira vez com relativa liberdade.

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