Jerusalém, 27 (AE-AP) - O gabinete israelense reuniu-se hoje (27) durante mais de sete horas sob a presidência do primeiro-ministro Ehud Barak, dando início ao debate oficial para a desocupação do sul do Líbano, que poderá ocorrer dentro de cinco meses, informou a Rádio Israel.
"Nenhuma decisão sobre a polêmica questão foi anunciada
apesar das grandes pressões para a retirada das tropas", comentou a emissora que, no entanto, referiu-se a "sinais" sobre uma eventual retirada das Colinas de Golan dados à Síria.
Segundo a rádio, Barak teria dito a seus ministros: "Não podemos apagar o passado." O primeiro-ministro israelense prometeu retirar as tropas do sul do Líbano em julho, mas não esconde para ninguém que gostaria de fazer isso após chegar a um acordo com a Síria.
O gabinete voltará a debater a questão no próximo sábado. O encontro ocorreu em em meio a incidentes na Cisjordânia, provocados por uma declaração do primeiro-ministro francês, Lionel Jospin (em visita a Israel e à Autoridade Palestina), que deixou indignadas as lideranças árabes - principalmente libanesas e palestinas. O dirigente francês referiu-se ao Hezbollah (organização guerrilheira libanesa pró-Irã que luta contra a ocupação israelense do sul do país) como "grupo terrorista".
Estudantes palestinos chegaram a lançar pedras contra Jospin ontem em Ramallah (Cisjordânia), onde ele participou de uma cerimônia na Universidade de Bir Zeit e reuniu-se com o líder Yasser Arafat. Ainda hoje, cerca de 3 mil palestinos voltaram a realizar manifestações de protestos em Hebron.
Queimaram bandeiras da França e fotos de Jospin, enquanto gritavam em coro: "Abaixo França, Estados Unidos e Israel."
No Líbano, o líder do Hezbolah, xeque Naim Kassem, exigiu que Jospin peça perdão por "insultar o povo libanês e seu movimento de resistência e o sentimento de mulheres e crianças que padecem das consequências da ocupação sionista".
Segundo fontes francesas, Jospin recebeu um telefonema do presidente Jacques Chirac, que lhe teria sugerido "mais cautela" no tratamento das questões do Oriente Médio. "A França deve punir Jospin que não será bem recebido no Líbano enquanto não apresentar claras desculpas", concluiu Kassem.