Jerusalém, 23 (AE-AP) - Israel e Síria aproximaram-se hoje (23) de superar um obstáculo-chave para a retomada de suas negociações de paz, suspensas há três anos. A mídia oficial síria elogiou a declaração feita na véspera por Danny Yatom, um importante assessor do primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, de que Israel "não é contra" reiniciar as conversações do ponto em que elas foram interrompidas (como exige Damasco), embora esse ponto "seja assunto de interpretação".
"Isso, sem dúvida, é algo bom", comentou o jornal sírio Al-Baath. A Rádio Damasco assinalou que a afirmação de Yatom reforça o caminho para a retomada do diálogo "para uma paz ampla e justa na região" e elogiou a pressa que Barak tem demonstrado em reviver as conversações. "Ele está colocando o cavalo antes da carroça para alcançar uma paz ampla."
A Síria alega que, quando as negociações foram suspensas, Israel já concordara em devolver totalmente as Colinas do Golã (ocupadas pelos israelenses em 1967) em troca da paz. O Estado judeu nega. Mas a população israelense dá sinais de estar-se conformando com essa idéia. Segundo uma pesquisa divulgada hoje pelo jornal Yedioth Ahronoth, 66% dos israelenses acham que a paz com a Síria é impossível sem uma retirada total ou quase total do Golã, e 48% dizem que votariam a favor de tal medida num referendo. Reforçando o clima de otimismo, Yatom voltou a dar declarações conciliatórias hoje sobre a exigência síria para reiniciar o diálogo. "A diplomacia pode produzir mais de uma fórmula que seja aceitável para os dois lados", disse ele à TV israelense. Yatom ressaltou que o presidente sírio, Hafez Assad, acredita no desejo de paz de Barak (ambos têm trocado cumprimentos pela imprensa e por intermediários nas últimas semanas), acrescentando: "Por causa dessa confiança, entre outras coisas, pode ser descoberto um jeito de chegar à mesa de negociações sem que nenhum lado estabeleça precondições."
Se no front diplomático sírio a situação parece estar avançando, no palestino Barak vai manter uma difícil reunião amanhã com o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, para tentar convencê-lo a concordar com alterações no acordo de Wye Plantation, que prevê a libertação de palestinos e a desocupação de 13,1% da Cisjordânia em três etapas (das quais Israel só cumpriu uma até agora).
Segundo Yatom, Barak voltará a pedir a Arafat que o cumprimento de Wye seja atrelado às negociações para definição do status final dos territórios palestinos. "Isso aumentaria as chances de alcançar uma solução permanente", alegou Yatom. Arafat, porém, já deixou claro que é contra qualquer mudança no acordo.

mockup