Israel e Síria dão primeiro passo no difícil caminho da paz
Washington, 15 (AE-AP) - Israel e Síria iniciaram hoje (15) em Washington suas negociações de mais alto nível em todos os tempos, numa cerimônia marcada pela falta de um aperto de mão entre os dois arquiinimigos e por um duro discurso sírio, mas com a esperança de alcançar um acordo de paz ao longo do ano 2000.
"O que estamos testemunhando hoje ainda não é a paz, e chegar lá vai requerer escolhas difíceis", afirmou o presidente americano, Bill Clinton, no jardim da Casa Branca, ao lado do primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, e do chanceler sírio, Faruq al-Shara. "Mas hoje é um grande passo nesse caminho: pela primeira vez na história , há a chance de uma paz abrangente entre Israel e Síria e todos seus vizinhos."
Ao contrário do previsto, Barak e Al-Shara tiveram oportunidade de falar, logo após a introdução de Clinton. Barak subiu prontamente ao púlpito e pronunciou uma breve mensagem de esperança. "Estamos determinados a fazer o que pudermos para realizar os sonhos de crianças e mães de toda a região, para trazer um futuro melhor para o Oriente Médio na entrada do novo milênio", disse Barak. "Viemos aqui para deixar para trás os horrores da guerra e avançar para a paz."
Já Al-Shara, quando chegou sua vez, colocou seus óculos de leitura, pegou suas anotações e fez um discurso de seis minutos que deixou alguns dos presentes olhando desconfortavelmente para o chão. Ele disse que, para Damasco, a paz significa a devolução de "toda a terra ocupada", numa referências às colinas sírias do Golan, capturadas por Israel em 1967. "Já para Israel, a paz vai significar o fim do medo psicológico com o qual os israelenses têm vivido por causa da atual ocupação, que é a fonte de todas as guerras e adversidades", acrescentou.
Indicando que seu país não esquecerá facilmente os acontecimentos das últimas cinco décadas, Al-Shara queixou-se de que o mundo "ignorou totalmente" o sofrimento árabe e assinalou que, enquanto israelenses "tentam angariar simpatia" para os 17 mil colonos judeus do Golan (que podem ser retirados se o território for devolvido), após 1967, mais de 500 mil sírios tiveram de abandonar suas vilas nessas colinas, que havia milhares de anos eram habitadas por seus antepassados. Ele acusou ainda Israel de ter "provocado os sírios até o enfrentamento" de 1967 e depois alegado que os sírios eram os agressores.
Al-Shara reiterou a posição síria de que estas negociações têm de continuar de onde foram interrompidas em março de 1996 - quando, segundo Damasco, Israel já concordara em devolver todo o Golan.
Um negociador israelense disse que sua delegação ficou "surpresa" com o discurso sírio. Mas, apesar do tom duro, Al-Shara também falou coisas que Israel queria ouvir, oferecendo ao Estado judeu sinais de relações normais após a paz. "Estamos chegando ao momento da verdade. Um acordo de paz entre Síria e Israel e entre Líbano (controlado por Damasco) e Israel pode muito bem levar a um diálogo de civilizações e a uma competição honrada em vários campos - político, cultural, científico".
As conversações terão prosseguimento amanhã.





