Jerusalém, 01 (AE-AP) - Trabalhando duro para superar obstáculos de última hora, Israel e a Autoridade Palestina (AP) estavam prestes a concluir hoje (01) um acordo para a desocupação de mais uma parte da Cisjordânia que fixa um prazo de um ano para um tratado final de paz.
Entretanto, depois de duras discussões, o governo israelense anunciou no fim da noite que ainda estava esperando pela resposta da AP às suas propostas e não realizaria novas conversações antes que ela chegasse, o que irritou os palestinos. "Não sei do que eles estão falando", reagiu o negociador-chefe da AP, Saeb Erekat. "Não creio que eles saibam do que estão falando."
Num dia marcado por ultimatos gritados e grandes expressões de otimismo, as duas partes superaram praticamente todos os obstáculos, menos um, que continuava ameaçando os planos de firmar amanhã o acordo em Alexandria, na presença da secretária de Estado americana, Madeleine Albright: a questão dos prisioneiros Palestines.
Israel insistia em libertar apenas 370, enquanto a AP exigia 400. Erekat confirmou que só faltava resolver esse problema, mas, depois do anúncio israelense, acusou o outro lado de voltar atrás em questões que já teriam sido acertadas. O governo israelense não se pronunciou imediatamente sobre a acusação.
Segundo informações colhidas pela Associated Press, duas questões que ameaçavam a promessa do primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, de retomar o cumprimento do acordo de Wye Plantation foram resolvidas: saiu o cronograma para a conclusão da desocupação de 13% da Cisjordânia e foi fixado o prazo para que se chegue a um tratado sobre o status final desse território, da Faixa de Gaza e de Jerusalém Oriental. O prazo é de um ano, contado a partir do relançamento do pacto de Wye, que deve ocorrer este mês.
"Esperamos concluir as atuais negociações nas próximas horas", afirmou o presidente da AP, Yasser Arafat, em Haia. Depois de conversar por telefone com o presidente americano, Bill Clinton, Arafat encurtou sua visita à Holanda e voltou ao Oriente Médio para acompanhar a fase decisiva das negociações. Na tarde de hoje, um ministro do governo de Barak, Haim Ramon, apareceu de surpresa no local das conversações - o Hotel Rei David, em Jerusalém.
Após sua chegada, gritos puderam ser ouvidos através das paredes. "Osama, o mais importante é ter um acordo", gritou Ramon para Osama el-Baz, um importante assessor do presidente egípcio, Hosni Mubarak, que vem mediando as discussões. Duas horas depois, quando Ramon saiu do salão de conferências, estava sorridente e confiante. "Tudo será resolvido."
Erekat disse que Ramon trouxe novas propostas para resolver a questão dos prisioneiros, e também se mostrou otimista quanto à obtenção de um acordo.
Ramon deveria relatar hoje à noite ao gabinete de segurança de Israel os resultados das conversações. Entretanto, a reunião do gabinete foi interrompida à meia-noite e, em seguida, um porta-voz israelense anunciou que Barak ainda esperava por uma resposta dos palestinos.
O acordo de Wye Plantation foi firmado em outubro nos EUA por Arafat e pelo então primeiro-ministro israelense, o direitista Benjamin Netanyahu. O pacto prevê a libertação de 750 prisioneiros palestinos (um compromisso assumido por Israel, mas não assinado) e a desocupação de 13% da Cisjordânia em três etapas, em troca de garantias de segurança da AP para os israelenses. Netanyahu cumpriu apenas uma etapa e suspendeu o acordo em dezembro. O sucessor dele, o trabalhista Barak, prometeu reviver o acordo, mas tem procurado vincular seu cumprimento a avanços rumo ao tratado final de paz.

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