Israel e palestinos concordam em retomar negociações de paz8/Mar, 16:39 RAMALLAH, Cisjordânia, 08 (AE-AP) - Pondo fim a semanas de impasse e acusações mútuas, Israel e os palestinos concordaram hoje (08) em retomar as conversações de paz no final do mês em Washington. O anúncio foi feito pelo mediador americano Dennis Ross depois de um encontro de 75 minutos em Ramallah entre o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, e o líder palestino Yasser Arafat, a segundo reunião de cúpula deles em 14 horas. Intensas mediações dos EUA e do Egito puseram fim à crise que levou Arafat a ameaçar no começo da semana a declarar a independência palestina este ano, com ou sem a aprovação de Israel. Pelo compromisso esboçado por autoridades palestinas e o ministro do Exterior israelense, David Levy, os dois lados concordaram com um novo calendário para a paz, uma vez que o original já está atrasado. Israel deve se retirar em breve de 6.1% da Cisjordânia. Até maio, os dois lados esperam negociar um esboço do tratado de paz final, seguido em junho por uma nova retirada israelense. O prazo final de 13 de setembro para um acordo final foi mantido. Ross disse que as conversações de paz serão retomadas em Washington depois do Eid al-Adha, a Festa Muçulmana do Sacrifício de quatro dias que começa em 16 de março. Ele não deu uma data precisa ou detalhes do local do encontro. O mediador afirmou que na cúpula de hoje, Barak e Arafat reafirmaram que Israel e os palestinos se comprometem a "trabalhar com espírito de parceria e confiança mútua para pôr fim ao conflito entre eles". Segundo Ross, os dois líderes decidiram promover conversações intensivas. "Neste sentido, eles concordaram que as negociações serão retomadas depois do Eid em Washington", disse Ross. "O objetivo é alcançar um esboço de acordo o mais rápido possível para que todas as questões do status permanente possam ser resolvidas até 13 de setembro". Nesta quinta-feira, Barak e Arafat irão se reunir com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, no balneário do Mar Vermelho de Sharm el- Sheik, numa demonstração de apreço por seus esforços de mediação, informou o escritório de Barak. Em Beirute, o presidente do Líbano, Emil Lahud, afirmou que não poderá garantir a segurança na fronteira com Israel se não houver um acordo de paz que resulte na devolução das Colinas do Golan à Síria e reconheça o direito de os refugiados palestinos regressarem a sua terra. Segundo a ONU, cerca de 350 mil palestinos abrigaram-se no Líbano depois de ter sido expulsos de Israel em 1948, quando o Estado foi formado. O governo israelense nega-se a autorizar o retorno dessa população e seus descendentes e as autoridades libanesas não lhes concedem assentamento definitivo. No domingo, o gabinete de Barak aprovou por unanimidade a retirada unilateral das tropas do paíos do sul do Líbano, onde ocupam uma área denominada de "faixa de segurança" para evitar ataques do grupo guerrilheiro Hezbollah às cidades e vilas do norte de Israel. O Hezbollah luta contra a ocupação israelense de território libanês, iniciada em 1978.