Israel e palestinos chegam a novo acordo
Gaza, 03 (AE-AP) - Com um impulso americano, negociadores de Israel e da Autoridade Palestina (AP) acertaram hoje (03) uma nova versão do pacto de Wye Plantation para a desocupação de mais 11% da Cisjordânia e a libertação de centenas de palestinos, o que permitirá que os dois lados finalmente dêem andamento às negociações sobre um tratado permanente de paz.
Israel anunciou que começará a cumprir o pacto em dez dias, com a transferência de 7% da Cisjordânia para o controle da AP e a libertação de 200 palestinos. Outros 150 serão soltos em 8 de outubro. Em 15 de novembro e 20 de janeiro serão realizadas mais duas retiradas de tropas israelenses da Cisjordânia.
O pacto acaba com uma paralisação de oito meses no processo de paz. Ele será firmado amanhã no balneário egípcio de Sharm el-Sheik e fixa um prazo de um ano para a conclusão do tratado sobre o status final da Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental.
O anúncio do acordo foi antecipado em Gaza pelo ministro palestino do Planejamento, Nabil Shaat, enquanto o presidente da AP, Yasser Arafat, e a secretária de Estado americana, Madeleine Albright, ainda estavam reunidos acertando detalhes do acordo.
Uma hora depois, Albright saiu sorridente do encontro. "O presidente e eu tivemos um encontro muito bom e tenho a satisfação de anunciar que israelenses e palestinos têm um acordo para pôr em prática o acordo de Wye", afirmou a diplomata. "Eles realmente aproveitaram uma oportunidade histórica."
Durante a reunião, Arafat telefonou para o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, para dizer-lhe que aceitava o acordo. "O primeiro-ministro congratulou (Arafat) e disse que eles abrirão juntos uma nova era de confiança e parceria", assinalou o governo israelense num comunicado.
O último grande obstáculo para o acordo era a questão dos palestinos presos em Israel por atividades antiisraelenses. A AP queria que fossem soltos 400 prisioneiros, mas, hoje de manhã, funcionários israelenses anunciaram que ela concordara com a oferta israelense de soltar apenas 350. Segundo Shaat, um comitê bilateral discutirá a libertação de mais prisioneiros em dezembro.
Outro ponto polêmico era uma cláusula proibindo as partes de adotar medidas unilaterais na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Israel queria fortes garantias de que a AP não declare um Estado palestino antes da conclusão das negociações sobre o status final dos territórios. Não ficou imediatamente claro como esse problema foi resolvido.





