Israel devolverá 5% da Cisjordânia para os palestinos
Jerusalém, 04 (AE-AP) - Israel e Palestinos concordaram hoje(4), depois de semanas de negociações, que as tropas de Israel irão se retirar de 5% da Cisjordânia antes do final de semana.
A retirada, originalmente marcada para 15 de novembro, foi adiada porque os dois lados discordaram sobre se Israel sozinho poderia determinar qual a área seria devolvida.
Segundo o acordo alcançado hoje, a retirada será feita como foi planejado, inicialmente, por Israel, enquanto Israel estará aberto às requisições palestinas quanto ao esboço do mapa para a próxima retirada israelense, de 6,1% do território da Cisjordânia em 20 de janeiro.
Um oficial palestino, que não quis ser identificado, disse que os palestinos deveriam ter direito a opinar sobre a retirada de janeiro, enquanto o negociador israelense, Oded Eran, disse que Israel somente se comprometeu a ouvir as requisições da Autoridade Palestina.
O líder da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, rejeitou a retirada de 15 de novembro porque as áreas oferecidas por Israel eram muito pouco povoadas e não correspondiam à terras controladas pelos palestinos. Arafat requisitou as áreas da Cisjordânia próximas ao leste de Jerusalém, setor em que Arafat pretende estabelecer a futura capital do Estado Palestino.
Eran negou que o primeiro-ministro, Ehud Barak, prometeu à Arafat que os palestinos poderão controlar uma ou mais regiões de Abu Dis, Ram, Izzarieh, na retirada de janeiro.
As devoluções foram estipuladas no acordo de paz em setembro. O compromisso de hoje, alcançado por Eran e seu colega palestino Saeb Erekat, melhora as negociações entre os dois Estados já que ambos tentarão colocar para 13 de fevereiro a data limite para a formulação de um tratado final de paz.
Eran encontrou-se diariamente com o negociador Yasser Abed Rabbo na chamada conversa final, com negociações que prosseguiram ao longo na noite, segundo um oficial palestino.
Os dois lados ainda não têm consenso sobre todos os pontos de negociação. Por exemplo, os palestinos lutam por toda a Cisjordânia e Faixa de Gaza, assim como pelo leste de Jerusalém, enquanto Israel quer manter toda Jerusalém e as regiões próximas à Cisjordânia.
Eran disse que algum progresso já foi conseguido e que ele está otimista que um acordo poderá ser alcançado, se não em meados de fevereiro algumas semanas mais tarde.
O conselheiro de Arafat, Nabil Abourdeneh, disse que ainda é "muito cedo para julgar". Ele disse que o encontro entre Arafat e o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, dia 20 de janeiro, será crucial. "Neste encontro, começará a ficar claro se seremos capazes de alcançarmos um acordo", disse Abourdeneh.
O início na retirada das tropas na Cisjordânia será na quinta-feira, no feriado muçulmano, de três dias, Eid al-Fitr, que marca o fim do Ramadã.
Israel irá entregar 2% da Cisjordânia em torno da cidade de Ramallah para o controle total dos palestinos. E os 3% próximos às cidades de Nablus, Jenin e Hebron irão da jurisdição de Israel para uma jurisdição conjunta.





