Israel determina duras ordens para evitar baixas nos últimos meses no Líbano
Jerusalém, 10 (AE-AP) - O primeiro-ministro israelense Ehud barak determinou duras e novas ordens de guerra nesta quinta-feira (10) para evitar baixas nas fileiras de Israel nestes que, ele espera, devem ser os últimos quatro meses de uma sangrenta batalha de 18 anos contra as guerrilhas libanesas.
Os bombardeios desta semana, inclusive os ataques punitivos contra estações de transmissão de energia do Líbano, foram um primeiro exemplo de como Israel retaliará de agora em diante os ataques mortais dos guerrilheiros contra soldados israelenses na faixa ocupada pelo Estado judeu no sul do país vizinho, informaram oficiais do exército.
Ainda assim, o duro discurso fez pouco para recuperar a moral após duas semanas de intensos combates que custaram a vida de seis soldados israelenses e forçou dezenas de milhares de moradores das cidades fronteiriças a se refugiar em abrigos contra bombas abaixo do solo.
Diversos soldados de combate, não mais dispostos a arriscar a vida, disseram em raras entrevistas com oficiais do alto-escalão que querem deixar a região em conflito imediatamente. Ninguém quer ser o último morto, disseram eles em entrevistas à Rádio Israel e ao jornal Haaretz. No posto avançado de Yakinton, nove de 10 soldados eram favoráveis a uma retirada imediata, publicou o Haaretz.
Muitos civis - 42,8%, de acordo com uma pesquisa publicada nesta quinta-feira - concordam que não há interesse em prolongar a agonia de Israel, enquanto outros lamentam a erosão do espírito de luta israelense.
O soldado Avi Vital, ferido domingo por mísseis disparados pelo Hizbollah, disse que "todos estão sofrendo de baixa estima". Apesar disso, ele diz ter a obrigação de retornar à sua unidade o mais rápido possível.
Barak não deu indicações de planejar uma retirada antes de um prazo final auto-determinado para julho. Relutante em relação a uma retirada unilateral, ele ainda resiste a um tratado de paz com os sírios, a principal força no Líbano, que também inclui um acordo em relação aos libaneses. A bênção da Síria garantiria tranquilidade na fronteira norte de Israel.
No entanto, o governo sírio não joga junto. Com a suspensão das negociações entre Israel e Síria, Damasco tolerou - segundo Israel, até mesmo encorajou - ataques da guerrilha pró-iraniana Hizbollah contra alvos israelenses no sul do Líbano nas últimas semanas.
O vice-ministro da Defesa, Ephraim Sneh, disse hoje que Israel não mais toleraria ataques contra soldados e retaliaria duramente. "Agora nós mudamos as regras e temos de deixar muito claro que os ataques guerrilheiros e terroristas contra nossos soldados não serão tolerados", disse ele em entrevista por telefone.
Sneh e o chefe do exército, tenente-general Shaul Mofaz, disseram que Israel não se restringiria mais ao famoso acordo das "Vinhas da Ira", um código de represálias negociado pelos Estados Unidos após a campanha de bombardeios israelenses que levou este nome.
Como parte do código, ambas as partes prometeram não atacar civis nem usá-los como escudo, mas outros ataques contra combatentes não foram regulados.
Segundo Mofaz, Israel não estaria mais de mãos atadas. "Quando acharmos que um ataque contra bases do Hizbollah ou infra-estrutura libanesa é necessário, o faremos", disse. "Temos planos para situações diferentes."





