Israel critica acordo do Vaticano com a OLP
Jerusalém, 16 (AE-AP) - O Ministério do Exterior de Israel convocou hoje (16) o enviado do Vaticano para protestar contra um novo acordo entre a Santa Sé e a OLP que condena o domínio do Estado judeu sobre toda Jerusalém.
O preâmbulo político do acordo, "e especificamente a cláusula que trata de Jerusalém, são inaceitáveis", afirmou num comunicado o diretor do Ministério do Exterior, Eitan Bentsur, depois de reunir- se com o enviado, arcebispo Pietro Sambi.
Bentsur também disse que o momento do acordo foi "deplorável", numa aparente referência à visita que o papa João Paulo Segundo fará à Terra Santa no mês que vem.
O pontífice está vindo numa importante missão histórica, afirmou- se no comunicado.
"Esperamos uma mensagem de paz e reconciliação, que não inclua qualquer determinação avançada sobre resultados nas negociações entre nós e os palestinos", acrescentou.
Israelenses e palestinos têm clamores rivais em relação a Jerusalém. Israel capturou Jerusalém Oriental, majoritariamente árabe, da Jordânia na Guerra dos Seis Dias de 1967 e a anexou à sua capital. Os palestinos esperam estabecer sua capital em Jerusalém Oriental. O destino da cidade será decidido em acordos finais de paz entre os dois lados.
O acordo do Vaticano com a OLP, assinado na terça-feira, cobre o status das igrejas e a liberdade de culto nos territórios palestinos. O preâmbulo declara que uma "solução justa" para Jerusalém, baseada em resoluções internacionais, é "fundamental para uma paz justa e duradoura". Ele pede por salvaguardas internacionais de liberdade de religião na cidade.
Sem mencionar Israel pelo nome, o acordo afirma que "decisões e ações unilaterais alterando o caráter específico e o status de Jerusalém são moral e legalmente inaceitáveis". A inesperada linguagem dura aparentemente pegou Israel de surpresa.
Bentsur disse a Sambi que as pessoas de todas as religiões são tratadas igualmente na cidade sagrada para judeus, muçulmanos e cristãos.
"Nunca no passado esses princípios foram honrados na Cidade Sagrada, capital de Israel, como estão sendo honrados e praticados sob o regime israelense", segundo o comunicado.
Sambi rechaçou as críticas israelenses, dizendo que o acordo com a OLP não era político.
"Não existe referência à situação política de Jerusalém", afirmou ele após a reunião com Bentsur.





