Jerusalém, 10 (AE-REUTERS) - Israel rejeitou nesta quarta-feira (10) uma decisão da Organização das Nações Unidas (ONU) para realizar uma conferência para discutir possíveis violações dos direitos humanos contra palestinos nos territórios ocupados, classificando-a de politicamente motivada.
A Assembléia Geral da ONU convocou ontem uma conferência para o dia 15 de julho para garantir que a Quarta Convenção de Genebra para proteger civis nas áreas ocupadas seja respeitada nas regiões da Cisjordânia e da Faixa de Gaza ainda ocupadas por Israel, particularmente a proibição de assentamentos.
"Israel rejeita completamente a decisão da Assembléia Geral (...) que é baseada em motivações políticas e não humanitárias"
divulgou o Ministério de Exterior por meio de comunicado.
"O processo de politização que consome as Nações Unidas engolirá os grupos humanitários e enfraquecerá sua habilidade de cumprir suas funções", dizia a nota.
A Assembléia adotou a resolução por 115 votos contra dois, e cinco abstenções, recomendando que os 188 signatários da convenção participem da conferência no escritório da ONU em Genebra. Apenas Estados Unidos e Israel foram contrários.
Israel alega controlar as provisões humanitárias da Quarta Convenção de Genebra, mas argumenta que é ilegal sua aplicação em Jerusalém Oriental, Cisjordânia e Faixa de Gaza, baseado no fato de estas regiões não estarem sob nenhum controle legítimo quando foram capturadas em 1967.
A Jordânia controlava a Cisjordânia e Jerusalém Oriental desde a primeira guerra árabe israelense, em 1948, enquanto o Egito controlava Gaza.
A resolução reitera outras decisões da ONU condenando a falha de Israel em interromper a atividade de assentamentos.
A decisão refere-se particularmente ao projeto de moradias de Har Homa, na parte árabe de Jerusalém Oriental, em um monte chamado Jabal Abu Ghneim em árabe.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que os acordos de paz com os palestinos são alheios à questão da construção de assentamentos para os diálogos sobre um acordo final que ainda precisa ser negociado.
"A tentativa de evitar que um lado (...) prossiga com o crescimento natural de suas comunidades enquanto não é imposta a mesma repressão às construções palestinas (...) é injusta e desnecessária", declarou Netanyahu a jornalistas.

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