Israel considera nulo acordo com o Líbano que protege civis
Jerusalém, 29 (AE-AP) - Israel considera nulo um acordo de três anos com o Líbano que protege os civis, afirmou hoje o ministro da Defesa, Moshe Arens.
A anulação do acordo de 1996 que pôs fim à disputa batizada de "Vinhas da Ira" é um dos últimos atos do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que está deixando o poder. O acordo, entretanto, poderá ser renovado quando o trabalhista Ehud Barak, vencedor das últimas eleições, assumir o poder na semana que vem.
Netanyahu, que ordenou dois ataques aéreos sobre o Líbano na semana passada em resposta a um ataque guerrilheiro com foguetes contra o norte de Israel, disse que não permitirá que o pouco tempo que lhe resta de poder o impeça de agir em nome da segurança do Estado judeu.
Arens disse que o último ataque do grupo pró-iraniano Hizbollah (Partido de Deus) contra áreas civis israelenses pôs fim ao acordo "Vinhas da Ira". Os guerrilheiros travam uma luta para desalojar Israel de uma área ocupada no sul do Líbano para prevenir ataques contra sua área fronteiriça.
"Em minha opinião, o acordo Vinhas da Ira não tem nenhum significado, nenhum valor", disse Arens. "O Hizbollah está violando o acordo todas as segundas e quintas-feiras, como nós podemos ver quando eles atacam nossas comunidades do norte". Arens instruiu o exército a ignorar o acordo.
Dois israelenses morreram nos ataques com foguetes; nove libaneses foram mortos durante as ações retaliatórias israelenses que cortaram a eletricidade em Beirute e destruíram três pontes.
Arens acredita que a Síria, principal aliado do Líbano, está usando o Hizbollah para pressionar Israel a deixar as Colinas de Golã.
O primeiro-ministro libanês, Selim Hoss, disse que Israel não tem nenhum direito de invalidar o acordo. "Nenhuma das partes pode unilateralmente cancelar o entendimento", disse Hoss à Associated Press em Beirute.
Segundo o premier libanês, os outros sócios do acordo - Síria
França e Estados Unidos - ainda estão comprometidos com o entendimento.





