Israel confronta Ocidente por causa de Jerusalém e colônias
Jerusalém, 16 (AE-REUTERS) - Israel acirrou hoje (16) uma disputa com a União Européia sobre o status de Jerusalém, enquanto recebia novas críticas dos EUA contra a expansão de assentamentos nos territórios ocupados.
Numa escalada na disputa com a visão da UE de que Jerusalém é uma "entidade separada" de Israel, o ministro do Exterior Ariel Sharon apareceu diante de embaixadores estrangeiros para pronunciar a morte da resolução da ONU de 1947 que pede a internacionalização da cidade.
"A resolução 181, que fala sobre Jerusalém não ser parte de Israel, está nula e cancelada... temos um amplo consenso nacional sobre a questão", disse Sharon aos embaixadores.
Com um olho nas eleições de Israel de 17 maio, o falcão Sharon, um líder do governista partido Likud, de direita, convocou uma entrevista coletiva para repetir as declarações, feitas aos embaixadores em inglês, em hebreu.
O ex-general reafirmou o controle do Estado judeu sobre toda Jerusalém, prometendo que "Israel nunca fará qualquer concessão em relação a Jerusalém, nunca".
A questão foi alçada para o primeiro plano da campanha eleitoral de Israel, com cada um dos principais candidatos declarando repetidamente que irá garantir que Jerusalém permaneça a capital eterna e indivisível de Israel.
Israel capturou Jerusalém Oriental na Guerra dos Seis Dias de 1967 e anexou-a posteriormente. Palestinos querem que Jerusalém Oriental seja a capital de um futuro estado.
Na questão dos assentamentos, um porta-voz da embaixada dos EUA em Tel Aviv afirmou hoje que a expansão deles além das fronteiras existentes incomoda Washington.
Israel rejeitou o comentário, que seguiu-se a um endurecimento das críticas americanas à construção de assentamentos em terras que Israel ocupou em 1967.
"Todas as construções estão sendo feitas dentro dos limites municipais dessas comunidades", disse David Bar-Illan, um alto assessor do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
O enviado americano para o Oriente Médio, Dennis Ross, afirmou à REUTERS na semana passada que a atividade de assentamentos era "muito destrutiva para a busca da paz". Palestinos têm dito que a expansão dos assentamentos esvazia o resultado das negociações sobre um acordo de paz permanente.
Além da oposição à atividade de assentamentos de Israel, a maioria dos países também rejeita a soberania israelense sobre Jerusalém, dizendo que o status da cidade é uma questão ainda a ser resolvida.
Segundo um acordo de paz interino com os palestinos, o futuro de Jerusalém deve ser decidido nas chamadas conversações finais de paz.





