Arquivo FolhaPolêmicaDesde que voltou ao Brasil, Lamia tem declarado que pretende se tornar uma ativista pela pazO Ministério de Assuntos Exteriores israelense convocou ontem o embaixador do Brasil em Israel, Pedro Paulo Pinto Assunção, para que ele prestasse esclarecimentos sobre a possível intenção do ministro brasileiro de Relações Exteriores, Luis Felipe Lampreia, de receber em audiência a brasileira de origem palestina Lamia Maruf Hassan.
Condenada à prisão perpétua pela justiça israelense - junto com o marido palestino - pelo sequestro e assassinato de um soldado de Israel, a brasileira Lamia foi libertada no mês passado depois de ter cumprido dez anos de sua pena, como parte do acordo de paz entre Israel e os palestinos.
‘‘O simples fato de vir à tona a possibilidade de o responsável pelas Relações Exteriores do Brasil convidar uma condenada que esteve envolvida no odioso assassinato de um soldado israelense já nos surpreende e provoca sérias reservas’’, dizia um comunicado divulgado ontem pelo governo de Israel.
‘‘A libertação da prisioneira deu-se em razão do acordo de paz com a Autoridade Palestina, e não pela boa conduta dela’’, acrescentava a nota.
‘‘Nestes dias, em que todos nos esforçamos para impedir a violência, o suposto convite poderia ser considerado como um prêmio a uma assassina e se constituiria num flagrante dano aos que dão apoio ao processo de paz’’.
De acordo com as informações que chegaram a Israel, o ministro das Relações Exteriores, Luis Felipe Lampreia pretenderia conceder a audiência a Lamia Hassan junto com uma delegação de parlamentares brasileiros favoráveis à causa palestina.
Desde que voltou ao Brasil e juntou-se aos pais e à filha, que vivem em São Paulo, Lamia tem declarado que pretende se tornar uma ativista de grupos que defendem os acordos de paz.
Expulsa de Israel imediatamente após a libertação, ela quer também ter restituído o direito de voltar ao país para visitar o marido preso.

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