Jerusalém, 10 (AE-AP) - As autoridades israelenses autorizaram hoje (10) dezenas de milhares de habitantes da Alta Galiléia, no norte do país, a sair dos abrigos subterrâneos, nos quais passaram três noites escondidos com medo de represálias do grupo guerrilheiro libanês Hezbollah contra um duro ataque da aviação de Israel a alvos civis no Líbano.
Apesar da redução da tensão, Israel continuou lançando ataques - desta vez, apenas contra supostas bases guerrilheiras - e advertiu que poderá voltar a bombardear objetivos civis em resposta a ações do Hezbollah.
"Israel já mostrou claramente a todos aqueles que estão jogando o terrível jogo libanês que, em resposta a um ataque contra nossos soldados (ou) violações (de um entendimento de 1996 com o Hezbollah), vamos retaliar não apenas contra o Hezbollah, mas também contra alvos de infra-estrutura", disse o ministro do gabinete israelense Haim Ramon. "Isto é algo novo."
A estratégia é uma tentativa de evitar novas baixas israelenses naqueles que o primeiro-ministro do país, Ehud Barak, espera que sejam os últimos quatro meses de ocupação. Alguns ministros já indicaram ser possível até que Barak ordene a retirada antes de julho, mês fixado por ele para isso.
Na terça-feira, a aviação israelense lançou seu maior bombardeio contra o Líbano em oito meses, ferindo 15 civis e destruindo três centrais elétricas, entre elas a que abastece Beirute. O Líbano, que ainda se recupera de 15 anos de guerra civil, teve de impor um severo racionamento de energia.
O bombardeio foi uma resposta à morte de seis soldados israelenses em duas semanas de ataques do Hezbollah contra a "zona de segurança" ocupada por Israel no sul do Líbano. O Estado judeu acusou o grupo guerrilheiro de ter lançado ataques a partir de áreas civis, o que violaria o entendimento de abril 1996. Um comitê formado pelos EUA, Israel, Líbano, França e Síria vai reunir-se amanhã para discutir essa questão.
Ao contrário do que Israel temia, o Hezbollah não estendeu suas retaliações até o território israelense. "Apesar do fato de que o Hezbollah não usou seus Katyushas (foguetes), todos os colonos no norte do Estado sionista passaram suas últimas três noites em abrigos", comemorou hoje o chefe da divisão social do grupo, Mohammad Birjawi. "Nenhum de nossos quadros foi ferido e o entendimento de abril não foi emendado."
Não se sabe se, para permitir que os habitantes da Alta Galiléia deixassem os abrigos, Israel obteve garantias do Hezbollah de que não haverá ataque à região.
Ainda hoje, a polícia israelense interrogou o presidente Ezer Weizman, suspeito de fraude fiscal e corrupção. Também foram ouvidos, na residência oficial do presidente, sua mulher, Reuma, e seu chefe de gabinete, Arieh Shumer.

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