Beirute, 24 (AE-AP) - Aviões israelenses bombardearam nesta quinta-feira (24) a infra-estrutura libanesa, destruindo estações elétricas perto de Beirute e em Baalbek (cidade localizada no oeste do país) e atingindo três pontes em uma rodovia do sul do país em resposta a ataques prévios do grupo pró-iraniano Hizbollah (Partido de Deus) contra áreas do norte de Israel.
Segundo autoridades libanesas, pelo menos seis pessoas morreram e 45 ficaram feridas em nove diferentes ataques - quatro dos quais atingiram estações elétricas em Beirute e outros quatro destruindo as pontes na zona de ocupação. Uma estação elétrica em Baalbek também foi atingida. Do lado israelense, duas pessoas morreram e 13 ficaram seriamente feridas.
Os ataques realizados entre a noite de hoje e a madrugada de sexta-feira, pelo horário local, foram a mais séria escalada de hostilidades desde que um ataque de Israel contra o Líbano deixou 175 mortos em 1996.
No momento do terceiro ataque à estação elétrica nos arredores da capital libanesa, o ministro libanês da Eletricidade e Recursos Hídricos - além de fotógrafos e jornalistas -, estava vistoriando o local. A maior parte da capital libanesa ficou sem energia, assim como os subúrbios ao sul, onde mora grande parte dos líderes e seguidores do grupo guerrilheiro Hizbollah.
Os ataques contra Jamhour ocorreram a poucos quilômetros da residência oficial do presidente Émile Lahoud e do QG da defesa. Foi a primeira vez desde 1996 que Israel atacou um alvo-chave da infra-estrutura libanesa.
Nos ataques promovidos contra Beirute, a televisão estatal informou que quatro membros do corpo de bombeiros morreram e 10 pessoas ficaram feridas em um ataque enquanto tentavam apagar um incêndio em uma estação de energia provocado por um ataque anterior.
Nos ataques de sexta-feira, os aviões israelenses atacaram uma outra subestação de energia que também alimentava a capital libanesa com eletricidade. As chamas podiam ser observadas a grande distância. Com o ataque a mais esta subestação, mais bairros ficaram na escuridão. Não estava imediatamente claro se havia vítimas.
Num comunicado, as Forças Armadas israelenses anunciaram que a ação foi em retaliação por um ataque com foguetes Katyusha e bombas de morteiro do Hizbollah contra o norte de Israel, que feriu levemente quatro civis e um militar. "Esta foi uma resposta ao sanguinário ataque com Katyushas contra a Galiléia, que feriu civis", assinala o comunicado.
A ação do Hizbollah, que luta para expulsar as tropas de Israel que ocupam o sul do Líbano, já fora uma retaliação por um ataque de artilharia israelense lançado no início do dia contra a vila de Kabrikha, no sul do Líbano. Uma mulher de 45 anos ficou ferida.
Segundo a agência israelense Itim, as bombas de morteiro da guerrilha pró-iraniana caíram na região oeste da Galiléia, enquanto os Katyushas atingiram a cidade de Kyriat Shmona, causando, além de ferimentos leves em quatro civis e um soldado, danos em algumas casas e pequenos incêndios. Por ordem do Exército israelense, os moradores dessas áreas foram para abrigos.
Por volta de 0h30 local, foram ouvidas duas fortes explosões que sacudiram Beirute, nas proximidades de seu estádio de esportes. Acreditava-se que fossem novos ataques aéreos, mas era
aparentemente, o barulho dos aviões.
O primeiro-ministro israelense, o direitista Benjamin Netanyahu, advertiu que o Hizbollah está "enganado" se pensa que pode intensificar, sem sofrer uma resposta à altura, seus ataques neste período de transição antes da posse do premier eleito Ehud Barak: "O governo de Israel é responsável pela paz de seus residentes do norte e reagirá firmemente às tentativas de prejudicá-los."
Já o trabalhista Barak pediu aos moradores do norte que continuem tendo coragem e paciência até que seu governo negocie, como ele tem prometido, um acordo para retirar as tropas israelenses do sul do Líbano em um ano.

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