ISP não deverá ser efetivado pelo governo do Rio
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domingo, 16 de abril de 2000
Por Felipe Werneck 
Rio de Janeiro, 17 (AE) - O chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, delegado Rafik Louzada, admitiu hoje que o Instituto de Segurança Pública (ISP) - um dos principal projetos do governador Anthony Garotinho (PDT), que previa a integração das polícias militar e civil - não deverá ser efetivado pelo governo estadual.
"Já há cinco arguições de inconstitucionalidade contra o ISP, e calculo que o projeto não será implantado", declarou o chefe da polícia, em palestra na Associação Comercial do Rio de Janeiro.
Louzada ressaltou, porém, que a ordem do governador, enquanto não haja uma definição em relação à questão, é de tocar o projeto. Além da integração das polícias, outro ponto polêmico do ISP é a proposta de a PM poder captar recursos por meio da venda de serviços.
Louzada disse considerar "boa" a intenção de criação do ISP, mas acha "muito difícil" a possibilidade de aprovação desse ponto. Ele disse que uma solução para substituir o instituto seria a criação de um órgão intermediário que atuaria entre a coordenação das 36 áreas de Segurança Pública do Estado e a Secretaria da Segurança.
Louzada também voltou a criticar o antropólogo Luiz Eduardo Soares, ex-coordenador da área de Segurança do governo. "Ele tinha a seu lado pessoas que não entendem de Segurança Pública, que preocupavam-se muito com os direitos humanos do bandido", declarou. "Não pode uma pessoa que não é do ramo falar sobre segurança; ele (Soares) não poderia ter exercido cargo executivo."
Louzada disse, porém, que vai apoiar a manutenção dos projetos criados pelo ex-coordenador, como a Divisão de Defesa dos Homossexuais.
O chefe da polícia afirmou que tem recebido muitos pedidos para nomear delegados ligados a determinadas pessoas, inclusive à vice-governadora Benedita da Silva (PT), mas afirmou que "não mistura polícia com política". "Recebi pedidos de deputados estaduais, deputados federais, da vice-governadora, e não atendi", afirmou.
"Ela pediu para colocar um delegado em determinado lugar, talvez por motivos pessoais, por amizade", disse, referindo-se à vice-governadora. Louzada participou como convidado da reunião do Conselho Empresarial de Segurança Pública da ACRJ.


