São Paulo, 24 (AE) - O novo presidente da International Organization for Standardization (ISO), o brasileiro Mário Gilberto Cortopassi, quer utilizar a Internet para discutir e votar, com os 135 países membros da instituição, as normas internacionais de qualidade a serem adotadas pelo comércio, indústria, informática e bancos, a partir do próximo ano.
"Minha principal meta é utilizar a rede mundial de tráfego de informações para democratizar a produção de normas internacionais, à medida que você não exigirá mais a presença física do representante de determinado país na votação das futuras normas", disse. "Os países pobres, que enfrentam dificuldades econômicas, por exemplo, muitas vezes não conseguem mandar representantes para participar de discussões importantes para a economia de seu país", justificou Cortopassi.
O novo presidente da ISO denuncia que as decisões mais importante ficam sempre nas mãos dos países ricos que conseguem financiar frequentemente a viagem de seus representantes, levando vantagem na votação.
Cortopassi acredita que acelerando o processo de utilização dos meios eletrônicos para a produção de normas do sistema internacional, a ISO irá não só financiar a democracia, mas também acelerar o seu processo da produção e diminuir o custo de participação de todos.
Mas o processo não é tão simples, explica ele. "Teremos de colocar em prática um projeto de conscientização dos países membros da ISO, considerados em desenvolvimento ou subdesenvolvidos ou as chamadas pequenas economias, principalmente aquelas onde se confunde a norma voluntariamente produzida pela sociedade com os regulamentos expedidos pelo governo e compulsoriamente utilizados", afirmou. "Temos a consciência da importância que as normas voluntárias do sistema internacional e os instrumentos para a sua aplicação têm no comércio entre os países, principalmente com relação às exigências dos grandes importadores", esclarece o primeiro latino-americano a assumir a posição de presidente da ISO.
Um dos motivos para que a Internet não seja utilizada de imediato neste processo de votação é que existem alguns países, como o Iraque, por exemplo, que não adotou a rede de tráfego mundial de informações. "E isso demora um certo tempo para ocorrer", avalia Cortopassi.
Uma outra dificuldade a ser enfrentada pela ISO é a ação nociva dos hackers que podem interferir num processo de votação impondo informações falsas e alterando a real intenção e o resultado da votação dos países membros com direito a voto, que ao todo somam 86. "Para tanto estamos nos prevenindo", disse. "Não posso revelar obviamente quais os instrumentos que serão utilizados para tornar esse meio seguro, mas certamente todos as precauções assumidas pela ISO nesse processo de votação virtual tornará o sistema extremamente seguro para o ano 2001", garante o novo presidente.
Mário Cortopassi, assumiu no dia 1º de janeiro, tem dois anos de gestão e é também presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

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