Isabel Allende diz que Pinochet é 'um cadáver político'2/Mar, 13:17 Santiago, 02 (AE-AP) - A deputada socialista Isabel Allende, filha do presidente Salvador Allende, deposto em 1973 pelo ex-ditador, disse hoje que Pinochet "saiu do Chile com uma pessoa rodeada de um certo prestígio e regressa como uma pessoa que, se não fosse por razões de compaixão, estaria a caminho da Espanha", disse, numa referência ao processo de extradição movido pelo juiz espanhol Baltazar Gárzon. "Ele chegará ao Chile como um cadáver político". Isabel Allende não acredita que o ex-ditador poderá retomar suas atividades políticas como Senador vitalício. "O Senado não pode ter como seu membro uma pessoa que vive nas atuais condições de saúde. Para mim, ele vem humilhado e universalmente condenado", frisou. Isabel Allende disse que não foi ficou surpresa nem decepcionada com a decisão do ministro do Interior britânico, Jack Straw, de libertar Pinochet. Para ela, o caso demostra que os ditadores não poderão, de agora em diante, desfrutar da impunidade. Ela agradeceu a "todas as pessoas que trabalharam duramente" no caso, principalmente o juiz espanhol e os grupos que representam as vítimas da ditadura. A deputada, integrante da coalizão de centro-esquerda do atual governo, que tem respaldado os esforços oficiais para repatriar o ex-general e resolver a questão jurídica no Chile, acredita que agora chegou a hora da verdade. "Agora, vamos cobrar as palavras de todos aqueles, da oposição e do governo, que disseram que no Chile se poderá fazer justiça", afirmou. Mais de 50 denúncias criminais esperam Pinochet no Chile pela morte e desaparecimento de mais de 3 mil pessoas durante a ditadura comandada por ele. Para enfrentar a justiça chilena, Pinochet terá que perder sua imunidade parlamentar. Advogados de entidades de direitos humanos já informaram que vão pedir o mais rápido possível o fim da imunidade do ex-ditador.