Londres, 11 (AE-AP) - Um juiz britânico considerou hoje (11) que o historiador britânico David Irving é um anti-semita, racista e apologista de Hitler e decidiu que uma acadêmica americana tinha justificativa para chamá-lo de negador do Holocausto.
Grupos judeus saudaram a derrota de Irving no processo de difamação que moveu contra Deborah Lipstadt, professora de história na Universidade de Emory, Atlanta, e consideraram que a reputação profissional dele foi destroçada e que um golpe vital foi dado em tentativas de minimizar o horror dos campos de concentração nazistas.
O juiz da Alta Corte Charles Gray julgou que Irving "deturpou e distorceu" evidências históricas.
"Foi enviada uma mensagem para todo o mundo, mais significativamente para os jovens, dando conta que argumentos usados por Irving e por outros para negar e diminuir os fatos do Holocausto não estão dentro da esfera do discurso aceitável ou razoável", disse Yad Vashem, do Memorial do Holocausto de Israel.
Irving, autor de cerca de 30 livros, entre eles "Hitlers War", classificou a decisão da Alta Corte de "perversa" e entrou com uma apelação.
Ele defendeu seu próprio caso nas audiências de nove semanas, mas já enfrenta altas contas, estimadas em uns US$ 3,2 milhões, pelos custos legais de Lipstadt e de sua editora, Penguin Books.
O britânico de 62 anos entrou com o processo de difamação por causa do livro de 1994 de Lipstadt "Denying the Holocaust: The Growing Assault on Truth and Memory", que ele diz prejudicou sua reputação internacional e fez com que editores o evitassem.
Irving reconhece que nazistas mataram judeus, mas nega que eles usaram câmaras de gás para exterminar milhões.
"Eu tinha argumentado que David Irving era um partisan e um apologista dos nazistas e do anti-semitismo", disse Lipstadt, titular da cadeira de Estudos de Judaismo Moderno e do Holocausto em Emory, a repórteres depois do veredito.
"O juiz foi além em seu julgamento - e o chamou de racista".
O juiz, num julgamento de duas horas, considerou que Irving é "um ativo negador do Holocausto; que ele é anti-semita e racista e que se associa a extremistas de direita para promover o neo-nazismo".
"Irving tem, por suas próprias razões ideológicas, persistente e deliberadamente adulterado e manipulado" a história para pintar um quadro favorável de Adolf Hitler, disse o juiz. "Ele está contente em se misturar com neofascistas e parece compartilhar muitos de seus preconceitos racistas e anti-semitas".
Pela lei de difamação britânica, Lipstadt e a Penguin tinham de provar que Irving não apenas distorceu dados históricos, mas que o fez deliberadamente.
Antes do veredito, Irving afirmou que havia revisto algumas de suas teorias durante o julgamento, mas sua posição básica era a mesma, que "o Holocausto tem sido grosseiramente inflado e tem havido o diabo de mentiras por parte de testemunhas".
Grupos judeus, temerosos de que a vitória de Irving daria munição a neonazistas e fascistas, declararam que a vencedora foi a história.

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