Brasília, 27 (AE) - O deputado Maguito Vilela (PMDB-GO), relator do projeto que cria a taxa de funcionamento de bingos, ameaça investigar a suposta existência de corrupção no setor. Maguito ficou irritado por não ter sido consultado pela bancada governista no Senado que tentou votar na quarta-feira (26) a medida provisória que cria taxa. O senador decidiu convidar para depor o procurador Luiz Francisco Fernandes de Souza, que pediu a quebra do sigilo de oito assessores do ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca. O ministro e seus assessores decidiram abrir seus sigilos.
"Aquilo foi uma truculência terrível do governo", disse o senador Maguito Vilela. "Querendo atropelar a comissão e votar apenas a taxa dos bingos." O senador se referia à tentativa do governo em votar parcialmente a medida com um relatório que não era o da comissão. Vilela disse qua a decisão de incluir a votação na pauta foi do líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM), e que cabe ao parlamentar esclarecer o fato. A assessoria de Virgílio infomou no final da tarde que ele estava em audiência.
Vilela levantou suspeitas sobre a real intenção do governo em votar uma matéria às pressas. "Foi muito estranha a posição (do governo) e é quase inadmissível", disse. "É porque envolve muito dinheiro." O senador afirmou que quer ouvir do procurador Luiz Francisco todas as acusações que pesam sobre o suposto envolvimento do Instituto Nacional do Desenvolvimento do Desporto (Indesp), com a máfia italiana. "Vamos ouvir o representante do Ministério Público para aquilatar em que pé andam estas falcatruas no jogo do bingo", disse Vilela, ameçando sugerir a extinção dos bingos se as denúncias forem confirmadas.
Luiz Francisco pediu a quebra de sigilo bancário e fiscal de 60 pessoas físicas e empresas, inclusive de oito assessores diretos de Greca. O procurador foi o principal responsável pelas investigações que levaram à prisão do ex-deputado Hildebrando Pascoal, que está preso sob a acusação de envolvimento com o narcotráfico e com o crime organizado.
Sigilo - Greca afirmou hoje que vai disponibilizar todos os seus extratos bancários e os registros telefônicos para o Ministério Público, antes mesmo de decisão da Justiça Federal. O ministro orientou todos os oito assessores incluídos no pedido de quebra de sigilo que façam o mesmo, para facilitar as investigações. Greca disse que vai também tornar públicas as contas de sua esposa e de sua empresa.
A secretária-Executiva do Ministério do Esporte e Turismo, Teresa Castro, que também foi incluída na lista de pedido de quebra de sigilo, enviou hoje à Justiça Federal uma declaração abrindo seus sigilos. Teresa lamentou que o Ministério Público não a procurou diretamente, antes de enviar o pedido à Justiça. Teresa disse que tomou conhecimento da investigação do Ministério Público pelos jornais.

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