Irresponsabilidade ao volante é comum entre jovens
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sexta-feira, 03 de agosto de 2012
Danilo Marconi <br> Reportagem Local 
Londrina - Uma pesquisa realizada pelo Instituto Ibope Inteligência, encomendada pela seguradora Porto Seguro, revelou hábitos preocupantes dos jovens no trânsito. O levantamento mostrou que 47% dos entrevistados praticam manobras arriscadas e 28% dirigem mesmo depois de consumir bebida alcoólica.
O Ibope entrevistou 350 motoristas entre 18 e 24 anos. A pesquisa foi feita em cinco capitais brasileiras, mas a realidade não difere muito dos jovens londrinenses. ''Basta sair no trânsito e ver esses abusos. Isso é da consciência (deles), falta limite'', avalia o chefe da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), Marcio Sandoval.
Não é difícil flagrar abusos nas ruas de Londrina. ''Passo em sinais vermelhos e algumas vezes faço conversões irregulares à noite. Acho que isso não tem muita importância. Certifico que não há outro carro ou pedestre no caminho antes de fazer (a conversão) para evitar acidentes'', afirma o estudante Rafael Mudre.
''É difícil sair e não beber nada ou sair de carro e deixá-lo lá para voltar para a casa porque consumi bebida alcoólica'', confessou o estudante Guilherme Mansano. ''Antes bebia mais, mas vi que não rola, é perigoso. Hoje eu bebo menos quando estou de carro'', disse. A namorada dele nem reprime a atitude. ''Não precisa (de puxão de orelha), ele é responsável'', aponta a estudante Fernanda Martinato.
Um dos resultados mais alarmantes da pesquisa do Ibope é o fato de que 59% dos entrevistados teclam no celular enquanto dirigem. ''Falo muito no celular e teclo enquanto dirijo. Até agora não fiz besteira porque consigo prestar atenção nos dois'', garante o estudante Vinícius Castilho.
Segundo o levantamento, 10% dos jovens sofrem acidentes em virtude do uso do celular, excesso de velocidade ou embriaguez. E 30% não veem necessidade de mudança desse comportamento.
O reflexo dessa personalidade individualista fica evidenciado pelo índice de aprovação da Ciretran de Londrina. Cerca de 60% dos inscritos passam direto pelos testes teóricos e apenas 38%, no prático.
Para psicóloga Lélia Mello, que aplica o teste psicotécnico nos candidatos londrinenses, a cultura da impunidade já está arraigada nesse grupo, dificultando a mudança de comportamento. ''Existe uma aprovação da sociedade para esse tipo de comportamento, tanto quando você tenta combater (o problema) acaba sendo apontada como a errada da história. Hoje, as pessoas estão acostumadas com esse perfil. Houve uma inversão de valores'', aponta.
''Acho que os jovens estão chamando a atenção dos adultos para que alguém se preocupe com eles. Os jovens não se importam com a própria vida, vivem intensamente, são ávidos pelo afeto dos amigos porque não têm mais isso em casa. Vejo esse comportamento refletido no trânsito em que o individualismo prospera'', avalia o coordenador de educação para o trânsito do Detran Paraná, Juan Ramón Soto Franco.
Na tentativa de reverter esse quadro o órgão regulador tenta inserir a disciplina de educação no trânsito na grade curricular da rede pública. ''Blitze educativas para preencher os olhos do cidadão não são efetivas. Temos que fazer mudanças profundas. Precisamos fazer um trabalho mais longo, ir até as escolas, trabalhar com professores e crinças desde pequenas. Temos que pensar numa revolução da educação do trânsito, logo no ensino fundamental, e conseguir repassar a teoria para prepará-los como condutores e cidadãos'', explica.



