Irregularidades prejudicam seguradoras
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As seguradoras do ramo saúde no Brasil têm um prejuízo anual superior a R$ 1,6 bilhão por causa das fraudes que seriam praticadas por segurados e prestadores de serviços. O valor, segundo informação passada pelo Sindicato das Seguradoras (Sindiseg) do Paraná, representa cerca de 25% do faturamento das empresas que, em 2003, chegou a R$ 6,75 bilhões ou 12,5% a mais do montante registrado em 2002, que foi de R$ 6 bilhões, aproximadamente.
Somente no Paraná, as seguradoras faturaram perto de R$ 101,6 milhões em 2003, contra os R$ 92 milhões de lucro registrados no ano anterior, ou que equivale a um crescimento de 10,5%. Ainda de acordo com o Sindiseg do Paraná, aplicado o percentual médio nacional, o prejuízo com fraudes no Estado chegou a R$ 25,4 milhões.
A coordenadora do Comitê de Saúde do Sindiseg estadual, Ileana Teixeira Moura, disse que ações fraudulentas mais frequentes são pagamento por serviços que nunca foram realizados, falsificação de pacientes e receituários médicos adulterados. Mas, ultimamente, a fraude mais comum tem sido a emissão de mais de um recibo para a mesma consulta médica. Ela explica que como o segurado só tem direito a um reembolso mensal para consultas com o mesmo médico, os pacientes acabam pedindo dois recibos: um para o mês em vigência e outro para o mês seguinte. Com isso, recebem o reembolso por um serviço não pago e não prestado.
Segundo Ileana, muitas vezes, o médico não sabe que está sendo envolvido no esquema fraudulento. Por isso, o Sindiseg do Paraná alerta os prestadores de serviço para que sejam mais cautelosos com seus recibos e notas fiscais.
A coordenadora do Sindiseg lembrou de recente pesquisa divulgada pela Sulamérica Seguros, uma das maiores empresas do ramo no País. O levantamento aponta que 44% das fraudes são praticadas pelo usuário, 24% pelo prestador de serviços, 18% por corretores, 6% por funcionários e os 8% restantes são de outras origens.
Para inibir os desvios e tentar minimizar os prejuízos, a Federação Nacional das Seguradoras (Fenaseg) criou um grupo de combate às fraudes, que já está implementando ações para proteger as empresas.
O ramo do seguro saúde registrou crescimento de quase 6% no mercado paranaense, no último ano. Segundo dados da Agência Nacional de Saúde (ANS) e do Sindiseg do Paraná, o número de beneficiários no Estado pulou de 181,5 mil, em 2002, para 192 mil, no ano passado. A maior parcela, porém, ainda continua nos planos de saúde que, em 2003, somavam 1,7 milhão de usuários.


