Irregularidades ferem decoro parlamentar, dizem líderes da Câmara
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domingo, 18 de abril de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 19 (AE) - As lideranças das bancadas dos principais partidos de oposição da Câmara Municipal consideraram gravíssimas as irregularidades cometidas pela vereadora Maeli Vergniano (sem partido) e acham muito difícil que os fatos revelados pelo jornal "O Estado de S.Paulo" no domingo não caracterizem quebra de decoro parlamentar. Esse foi um dos motivos que levou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais a pedir a cassação do mandato do vereador Vicente Viscome (sem partido), em relatório sobre o esquema de corrupção na Administração Regional da Penha.
"Acho que houve quebra de decoro parlamentar", afirmou a líder da bancada do PT na Câmara, Aldaíza Sposati. Ela disse que as reportagens publicadas reuniram provas muito mais fortes do que as obtidas contra Viscome. De acordo com a vereadora, os carros cedidos pela empresa Vega Engenharia Ambiental deveriam ser usados por funcionários da AR-Pirituba, para fiscalizar o serviço de limpeza pública. "Isso ou não ocorre ou é feito de maneira precária, com o conhecimento da vereadora, que ainda dispõe do motorista para serviços particulares", destacou.
Para o vice-líder da bancada do PSDB, vereador Aurélio Nomura, uma vez ratificadas as denúncias estará caracterizada a quebra do decoro parlamentar. "Confirmado tudo nas investigações oficiais, não haverá dúvida alguma", disse o tucano. Nomura adiantou hoje que vai pedir a abertura de uma sindicância interna na Câmara, a fim de apurar a situação funcional do promotor aposentado Marco Aurélio Ramos Carvalho, que, apesar de estar lotado no gabinete de Maeli, participou de pelo menos quatro reuniões da Comissão de Política Urbana da Câmara se apresentando como representante do então secretário municipal das Administração Regionais, Alfredo Mário Savelli. Defesa - Já os partidos governistas, a princípio, não manifestaram opinião. Essa foi a posição assumida pelos líderes das bancadas do PTB e do PPB, respectivamente, José Amorim e Paulo Frange. Frange disse estar muito preocupado com as revelações, mas pretende aguardar o relato da vereadora Maeli Vergniano, para, então, emitir o seu parecer. "Preciso ouvir a versão da vereadora para dar uma opinião, em que pese todo o respeito que tenho pelo Estadão", explicou, lembrando que telefonou para Maeli e não obteve resposta.
Amorim também disse estar muito preocupado, mas espera que a vereadora se defenda nos próximos dias. "Os fatos revelados são lamentáveis, mas o PTB não fará julgamento antecipado e aguardará um pronunciamento da vereadora", justificou o líder da bancada do PTB. CPI - O presidente da CPI, vereador José Eduardo Martins Cardozo (PT), reafirmou hoje que as denúncias são graves e serão investigadas pela comissão. Esta semana, Cardozo vai reunir-se com os delegados e promotores do Ministério Público Estadual (MPE) que investigam a máfia dos fiscais. Na reunião, será abordada a denúncia feita pelo jornal para estabelecer os rumos da investigação. Cardozo adiantou que, comprovadas as denúncias, a vereadora terá cometido ato de improbidade administrativa e, por consequência, faltado com o decoro parlamentar.
Aeportagem tentou durante todo o dia falar com a vereadora, na Câmara e em outros locais, sem sucesso. (Colaboraram Marcus Lopes e Gabriela Carelli)


